Bolsonaro filho questiona pesquisa Atlasintel no TSE por falhas
A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou, nesta quarta-feira, 15 de julho de 2026, uma nova representação junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O objetivo é impugnar uma pesquisa eleitoral conduzida pelo instituto AtlasIntel, cujos resultados, divulgados em 25 de junho, indicam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente na corrida presidencial. A ação reacende o debate sobre a transparência e a metodologia dos levantamentos eleitorais em um período pré-eleitoral já aquecido.
A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro argumenta que a pesquisa foi publicada sem a apresentação da documentação completa exigida pela legislação eleitoral. Essa falha, segundo a defesa, compromete a auditabilidade dos dados e a credibilidade do levantamento, um ponto crucial para a lisura do processo democrático.
Detalhes da Contestação: O Que Falta na Documentação
Os advogados da pré-campanha de Flávio Bolsonaro apontam que a pesquisa da AtlasIntel carece de informações essenciais para sua validação. Entre as exigências legais não cumpridas, estariam a identificação detalhada dos municípios e áreas onde o levantamento foi realizado, bem como o número exato de eleitores pesquisados em cada setor.
Além disso, a defesa alega a ausência da composição da amostra por critérios demográficos fundamentais, como gênero, idade, grau de instrução e nível econômico dos entrevistados. Em nota oficial, a equipe do senador afirmou que essa omissão “impossibilitou qualquer mínima auditabilidade de seus resultados pela Justiça Eleitoral e pela sociedade”, destacando a gravidade da situação para a fiscalização do processo eleitoral. A pesquisa em questão está registrada sob o número BR-04582/2026.
A Defesa da AtlasIntel e a Réplica da Pré-campanha
Em resposta às acusações, o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, utilizou seu perfil na plataforma X (antigo Twitter) para defender o instituto. Roman declarou que a contestação apresentada pela equipe de Flávio Bolsonaro estaria fundamentada em um suposto erro do sistema do próprio TSE, sugerindo que a documentação teria sido devidamente submetida, mas não processada corretamente pela plataforma.
Contudo, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro rebateu a justificativa de Roman. Segundo a defesa, a publicação do CEO da AtlasIntel, que inclui um print de tela, “traz apenas a data de hoje [15 de julho] no respectivo login e se refere a sistema disponível apenas aos Institutos de Pesquisa, unilateral e sem força probatória”. A equipe do senador exige que o instituto apresente uma certificação cartorial que comprove a tentativa de anexação dos documentos legais dentro do prazo estabelecido, reforçando a necessidade de provas com fé pública para validar as alegações.
Histórico de Impugnações e Decisões do TSE
Esta não é a primeira vez que a pré-campanha de Flávio Bolsonaro aciona o TSE contra pesquisas da AtlasIntel. Anteriormente, uma representação foi protocolada contestando outro levantamento do instituto, divulgado em 19 de maio. Aquela pesquisa foi a primeira a ser publicada após a repercussão de áudios e mensagens trocadas entre o senador e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Na ocasião, a representação alegava que a metodologia da pesquisa incluía a reprodução dos áudios, o que, segundo a defesa, induzia a uma percepção negativa do pré-candidato junto aos eleitores. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, acolheu a reclamação e determinou a suspensão da divulgação daquela pesquisa, evidenciando a seriedade com que o tribunal trata as questões metodológicas e de imparcialidade nos levantamentos eleitorais.
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