Fósseis de mais de 2,6 mil espécies Pré-históricas são descobertos em obras no Paraná
Uma descoberta paleontológica de proporções significativas veio à tona durante a construção de uma linha de transmissão de energia que conecta os estados do Paraná e São Paulo. Mais de 2,6 mil fósseis de animais e plantas, que habitaram a Terra centenas de milhões de anos antes mesmo do surgimento dos dinossauros, foram encontrados, revelando um vasto panorama da vida ancestral na região.
Este achado extraordinário não apenas sublinha a riqueza geológica do território brasileiro, mas também reforça a importância da paleontologia preventiva em grandes projetos de infraestrutura. Os materiais, que incluem vestígios de criaturas marinhas e terrestres, oferecem novas perspectivas sobre ecossistemas antigos e a evolução da vida em nosso planeta.
Megaprojeto de energia revela tesouros pré-históricos
A descoberta ocorreu ao longo das obras da Linha de Transmissão Ananaí 500 kV Ponta Grossa–Assis, um empreendimento da TAESA. Com uma extensão de 275 quilômetros, o projeto atravessa 13 municípios e cinco formações geológicas reconhecidas por seu alto potencial para a preservação de fósseis.
As coletas dos fósseis foram realizadas metodicamente entre abril de 2025 e janeiro de 2026, período em que as escavações para a instalação das torres da linha de transmissão estavam em andamento. Este planejamento estratégico permitiu que os paleontólogos acompanhassem de perto o progresso das obras, garantindo a identificação e o resgate dos preciosos vestígios.
Um vislumbre da vida ancestral no Paraná
Entre os mais de 2,6 mil fósseis resgatados, a diversidade é notável. Foram identificados trilobitas, braquiópodes, moluscos bivalves, peixes, gastrópodes e tentaculites, além de fragmentos de plantas primitivas. A equipe também encontrou registros de bioturbação, que são marcas deixadas por organismos que viveram no solo há milhões de anos, fornecendo pistas sobre o comportamento e a interação desses seres com o ambiente.
Os pesquisadores destacam que este material é crucial para a reconstrução de ambientes marinhos e terrestres de períodos geológicos remotos. Os achados abrangem o Devoniano, com cerca de 390 milhões de anos, e o Permiano, de aproximadamente 270 milhões de anos, épocas que precederam em muito a era dos dinossauros e que são fundamentais para entender a história geológica e biológica da Terra.
Compromisso com a ciência e o patrimônio
Henrique Zimmermann Tomassi, paleontólogo responsável pelo projeto executado em parceria entre a TAESA e a NASOR Paleontologia e Geologia, enfatiza a importância da iniciativa. “A experiência na LT Ponta Grossa – Assis demonstra que a paleontologia preventiva vai muito além do cumprimento de uma exigência regulatória. Trata-se de um compromisso real com a preservação do patrimônio científico e com a devolução desse conhecimento para a sociedade”, afirma Tomassi.
Todo o acervo descoberto está atualmente em fase final de catalogação e será posteriormente encaminhado para a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). A instituição será a responsável pela preservação e pelos estudos científicos aprofundados dos fósseis. A entrega oficial também será comunicada à Agência Nacional de Mineração (ANM), em conformidade com a legislação brasileira vigente.
Educação e conscientização para a preservação de fósseis
Além do meticuloso trabalho de resgate e estudo dos fósseis, o projeto também se dedicou a promover ações de educação patrimonial. Escolas, museus e prefeituras dos municípios por onde a linha de transmissão passa foram contemplados com atividades que visam conscientizar a comunidade sobre a importância dessas descobertas.
Adicionalmente, cerca de 200 trabalhadores envolvidos diretamente na construção da linha de transmissão receberam treinamento específico. O objetivo foi capacitá-los para identificar possíveis vestígios fossilíferos durante as escavações, transformando-os em aliados na proteção do patrimônio geológico e paleontológico do Brasil.
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