Gilmar defende saída de delegados da PF que atuam em gabinetes do STF

O ministro Gilmar Mendes propôs ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, que os gabinetes dos ministros da Corte sejam proibidos de contar com delegados da PF (Polícia Federal).

A proposta já havia sido levantada pelo decano do Supremo e será reforçada em uma reunião com Fachin. A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo e confirmada pela CNN.

A sugestão ocorre em meio à escalada da crise no Supremo após o ministro André Mendonça, relator do caso Master, determinar o levantamento do sigilo de um relatório da PF que expõe diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março e investigado por uma fraude financeira bilionária.

Ala do STF prevê mais embates de Mendonça com Polícia Federal e PGR
Atualmente, dois delegados atuam no gabinete de Mendonça. Outros dois trabalham nos gabinetes de Moraes e do ministro Luiz Fux.

Na avaliação de Gilmar Mendes, a proximidade de delegados da PF com os magistrados pode arrastar a Corte para sucessivas crises e provocar interferências no andamento dos inquéritos.

A percepção do decano é de que é preciso colocar um freio na presença de policiais trabalhando no Supremo surgiu ainda durante a tensão entre Mendonça e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Mendonça concentra hoje sob sua relatoria algumas das investigações de maior repercussão política e eleitoral.

Além do inquérito sobre as fraudes nos descontos do INSS, estão em seu gabinete duas das três novas investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha: a apuração sobre o Banco Master e o inquérito que investiga o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

De um lado, a cúpula da PF reclama de interferência na condução das investigações. Do outro, o gabinete de Mendonça se queixa da demora da corporação em dar andamento às apurações, entre elas o inquérito que cita Lulinha.

A crise se agravou nesta semana com o levantamento do sigilo do relatório da PF sobre o caso Master. Mensagens de Daniel Vorcaro citam o diretor-geral da corporação e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

“Não conseguimos reverter isso com Paulo e Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”, escreveu Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes em 15 de novembro de 2025 — dois dias antes de ser preso pela primeira vez.

A cúpula da PF também demonstrou incômodo com o fato de Daniel Vorcaro ter sido ouvido, na semana passada, por um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça, na presença de um representante da PGR. No depoimento, o ex-banqueiro afirmou que a blindagem a um diretor da PF impediu uma delação.

Como mostrou a CNN, o diretor-geral da PF demonstrou revolta e insatisfação e classificou como abuso de poder a condução de Mendonça nas investigações em que aparecem mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes.

Fonte:CNN Brasil