Governo Lula teve média de desmatamento da Amazônia Legal maior que a de Bolsonaro, mas reduziu indicador em 61%

Atual presidente, em contrapartida, recebeu desmatamento em patamar menor e o aumentou em 73%

Um dos temas mais quentes do primeiro debate entre os candidatos à Presidência no segundo turno foi o desmatamento da Amazônia. O presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu para os espectadores “darem um Google” para comparar os dados do governo dele com o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que na gestão do petista teve uma das maiores taxas de desmatamento, o que é impreciso. O governo Lula de fato teve maior média anual de desflorestamento em seu governo, mas pegou o indicador em alta e o entregou na mínima histórica, em 2010. Já Bolsonaro recebeu o indicador em um patamar menor e, nos três primeiros anos de seu governo, houve disparada.

A média anual de desmatamento do governo Lula em seus dois mandatos foi de 15,7 km², contra 11,3 mil km² de média nos três primeiros anos da gestão de Jair Bolsonaro. Lula, porém, reduziu o desmatamento em 61%, enquanto Bolsonaro o aumentou em 73%.

De acordo com dados do projeto Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que monitora por satélite desde 1988 o desmatamento por corte raso na Amazônia Legal, o ano com maior desmatamento desde então foi 1995, sob o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), quando 29,5 mil km² foram desmatados. O segundo maior foi 2004, segundo ano do primeiro mandato de Lula, com 27,8 mil km².

A partir de 2004, porém, as taxas anuais despencaram ano a ano. Em 2010, ano em que Lula deixou a presidência após dois mandatos, o indicador chegou a 7 mil km², a mínima histórica até então. O desmatamento entre 2002 e 2010 foi reduzido em 61%.

Sob o governo Dilma Rousseff (PT), o desmatamento seguiu ritmo de queda nos dois primeiros anos de mandato da petista e fechou 2012 no menor patamar até hoje: 4,6 mil quilômetros quadrados. O indicador passou a oscilar nos anos seguintes e terminou 2015 em alta, chegando aos 6,2 mil quilômetros quadrados.

Quando Bolsonaro assumiu o governo, em 2019, o desmatamento na Amazônia Legal estava em 7,5 mil quilômetros. Em seu governo o indicador disparou ano a ano e chegou a 13 mil km² em 2012, a maior taxa desde 2006. A alta do desmatamento nos três primeiros anos de Bolsonaro é de 73% (comparação entre os dados de 2018 e 2021).

Alpem disso, o desmatamento da Amazônia foi recorde nos seis primeiros meses de 2022, segundo o Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), que usa como base dados do sistema Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real), do Inpe. O acumulado de janeiro a junho, 3.988 km², é o maior da série histórica iniciada em 2016 e 80% maior que a média de área desmatada no mesmo período em 2018, último ano da gestão de Michel Temer (MDB).

Ex-presidente do Inpe até 2019, quando foi demitido por Bolsonaro após o instituto divulgar dados que mostravam o aumento do desmatamento, Ricardo Galvão protestou em suas redes sociais. “Bolsonaro falando sobre desmatamento é o ápice do cinismo. Ele me exonerou pois não gostou que os dados do Inpe estavam apontando aumento do desmatamento”, disse.

Fonte: O Globo