Governo reduz previsão do PIB para 2% em 2026, com pressão dos juros
O governo federal reduziu para 2% a projeção do PIB (Produto Interno Bruto) de 2026, segundo números do boletim Macrofiscal divulgados nesta terça-feira (22), pelo Ministério da Fazenda.
O boletim é divulgado bimestralmente pela pasta. Na edição de julho, a projeção da Fazenda era de crescimento econômico de 2,3% neste ano.
De acordo com a pasta, a revisão está concentrada no setor de serviços. A projeção para o setor caiu de 2,4% para 1,8%, a da indústria, de 2,1% para 1,7%.
Os movimentos foram parcialmente compensados pela agropecuária, com alta revisada de 1,8% para 2,8%.
No caso dos serviços, a revisão decorre “do carrego mais fraco deixado pelo primeiro semestre e da transmissão defasada da política monetária sobre a demanda doméstica”, segundo a Fazenda.
O Banco Central (BC) reduziu os juros para 13,75% neste ano, após o quinto corte seguido de 0,25 ponto.
Em ata divulgada nesta terça, o Copom (Comitê de Política Monetária) afirmou que a inflação permanece pressionada pela demanda, o que exige uma manutenção a política monetária em um caráter restritivo.
Em comunicado, o colegiado evitou sinalizar qual será o seu próximo passo e disse que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida “à luz da evolução do cenário”.
O mercado espera mais um corte da Selic ainda neste ano, encerrando 2016 em 13,5%, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (21).
A pasta explica que embora o endividamento das famílias siga estável em proporção da renda, o comprometimento com o serviço da dívida atingiu o maior nível da série histórica no segundo trimestre, o que limita a conversão do avanço da massa de rendimentos em consumo.
Para 2027, a projeção de crescimento para foi revisada de 2,5% para 2,3%. O resultado reflete os efeitos defasados do ciclo de flexibilização monetária e na continuidade da expansão da indústria extrativa e das exportações associadas.
No caso da inflação, a Fazenda revisou para baixo as expectativas, passando de 5,1% para 4,9% neste ano. Apesar da redução, a projeção ainda é de um estouro da meta definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).
O BC (Banco Central) persegue o centro da meta de 3%, com limites entre 1,5% e 4,5%. Até maio, o governo ainda projetava um IPCA no teto da meta, em 4,5%, mas as expectativas foram se deteriorando.
A revisão para baixo decorre dos resultados do IPCA até julho, que ficaram, em parte, abaixo do projetado na grade anterior, especialmente no grupo de alimentação no domicílio e, em menor medida, no de serviços.
A revisão também incorpora a melhora das expectativas de inflação para 2026, a manutenção da taxa Selic em patamar contracionista ao longo do ano e a desaceleração esperada da atividade econômica no segundo semestre de 2026.
Já para o próximo ano, a previsão de inflação foi revisada de 3,6% para 3,8%, refletindo os efeitos de um El Niño mais intenso sobre a safra de 2027.
“Embora a recente desaceleração da inflação tenha contribuído para reduzir seu componente inercial, a projeção para 2027 foi revisada para cima em razão dos efeitos de primeira ordem do El Niño sobre a produção de grãos e de segunda ordem sobre os preços das carnes, cujos impactos devem se materializar, sobretudo, no próximo ano”, explicou a Fazenda.
Fonte:CNN Brasil

