Governo teme “avalanche” de notícias negativas envolvendo Caso Master
O governo Lula acompanha com apreensão os desdobramentos do caso envolvendo as mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Apesar de integrantes do governo e da cúpula do Partido dos Trabalhadores avaliarem que as ameaças feitas por Vorcaro seriam vazias, o temor de um desgaste crescente é real.
Vorcaro teria sinalizado possuir informações capazes de reforçar sua delação contra integrantes do governo. No entanto, de acordo com apuração do analista de Política Pedro Venceslau, o governo entende que ele não teria elementos suficientes para comprometer figuras ainda não atingidas pelas investigações.
“O temor do PT e do Palácio do Planalto é que André Mendonça vá liberando informações a conta-gotas, para desgastar o governo às vésperas da eleição presidencial”, destacou Venceslau durante o CNN 360º desta quinta-feira (3).
Entorno de Lula reconhece dificuldade de o presidente se descolar de Moraes
Segundo Venceslau, pesquisas internas do PT e de outras candidaturas já registram uma erosão constante nas intenções de voto, ainda que em ritmo lento.
“Se a curva continuar nesse mesmo ritmo, pode acabar levando a uma inversão da posição dos líderes das pesquisas de opinião. Ou seja, Flávio pode ultrapassar Lula”, afirmou o analista.
Diante desse cenário, o governo tem adotado uma postura cautelosa em relação a André Mendonça. Mesmo integrantes habitualmente mais contundentes do PT têm evitado ataques diretos, optando por manter uma relação cordial.
Na visão dos petistas, Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro, estaria disposto a criar embaraços para facilitar o caminho de Flávio Bolsonaro.
Impacto institucional recai sobre o governo
Venceslau destacou ainda que, embora a crise no Supremo Tribunal Federal não atinja diretamente o Palácio do Planalto, o desgaste institucional acaba recaindo sobre o incumbente.
“Quem acaba pagando a conta é o próprio presidente Lula, porque ele, na leitura de muitos eleitores, representaria o tal do sistema”, explicou o analista.
A relação histórica entre o Palácio do Planalto e Alexandre de Moraes também contribui para esse cenário.
Moraes se aproximou do governo durante o julgamento e as investigações envolvendo o 8 de janeiro, período em que havia um clima de unidade em torno do ministro, sustentado pelo discurso de defesa da democracia e da soberania nacional.
Fonte:CNN Brasil

