Governo Trump prende pai de militar que está há 9 meses em porta-aviões no Oriente Médio

O pai de um militar americano foi preso pela Patrulha da Fronteira em uma operação contra imigrantes em Key West, na Flórida, no sábado (22), segundo a agência de notícias Associated Press.

Luis Manuel Aviles, de 48 anos, que é natural da Nicarágua, mas mora nos Estados Unidos há 19 anos, foi detido ao sair de casa para levar o carro ao mecânico, de acordo com a mulher Argelia, de 47.

“Ele se dedica exclusivamente ao trabalho para poder sustentar a família. É um bom pai. Ama os filhos com toda a alma”, lamenta ela.
O filho do casal está completando nove meses a bordo do USS Abraham Lincoln, porta-aviões da Marinha dos EUA enviado ao Oriente Médio, e usou a rede social Facebook para desabafar.

Joshua Aviles contou que está trabalhando em turnos de 12 horas há mais de 250 dias sem folga e que, apesar de estar “lutando por um país que me deu tudo”, não consegue parar de pensar no pai:

“Isso é de partir o coração. Não sei como vou conseguir continuar trabalhando mais de 12 horas por dia sabendo que meu pai está em algum lugar, possivelmente sendo tratado como um criminoso”.
O Departamento de Segurança Interna confirmou, em comunicado, que Luis foi preso por agentes da Patrulha e que permanecerá sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) enquanto o governo busca sua deportação.

“Ter um membro da família nas Forças Armadas não é um passe livre para violar as leis do nosso país”, disse o departamento no domingo, acrescentando que o governo Trump “não escolhe quais leis aplicar”.

Um dos benefícios de imigração mais divulgados pelas Forças Armadas é a “autorização de permanência militar no local”, que permite que cônjuges, filhos e pais de militares da ativa e veteranos obtenham status de imigração legal estando dentro do país.

A prisão de Aviles ocorre em um momento em que o governo Trump revoga proteções de imigração para famílias de militares, a fim de prosseguir com sua agenda de deportação em massa , detendo pelo menos dezenas de pais e cônjuges de militares americanos em serviço ativo.

Katherine Delgado, de 28 anos, irmã de Joshua Aviles, disse que Joshua entrou para o exército em parte porque achava que isso melhoraria as chances de seu pai obter a cidadania e para que ele “não vivesse mais com medo de ser preso”.

Joshua “deve voltar para casa em breve. E ele vai voltar para casa sem o pai”, disse Delgado, referindo-se à notícia de que o navio em que seu irmão está será desativado em breve no Oriente Médio.

Fonte:G1