Há 25 anos morria Ayrton Senna, maior ídolo do automobilismo nacional

Domingo, 1º de maio de 1994. O Brasil, como sempre, parava para acompanhar um Grande Prêmio (GP) de Fórmula 1, agora o de San Marino – território dentro da Itália -, realizado em Ímola. A expectativa de possível vitória de Ayrton Senna em sua Williams era enorme. Mas o que veio ninguém esperava: um acidente fatal envolvendo o brasileiro. A então curva Tamburello – a mesma onde Nelson Piquet sofreu acidente em 1987, que o afetou pelo resto da vida, e onde Gerhard Berger viu sua Ferrari em chamas em 1989 -, manteve forte a alcunha de perigosa depois de causar a morte do paulista aos 34 anos de idade.

Três acidentes em três dias. Duas morte. Foi este final de semana em Ímola, que ainda viu a morte do austríaco Roland Ratzenberger um dia antes de Senna e a fortíssima batida de Rubens Barrichello na sexta-feira, 29. Senna, inclusive, defendia que aquela corrida não fosse realizada depois da primeira tragédia fatal. Com a proposta descartada, o piloto da Williams chegou a pedir para separarem a bandeira da Áustria – ele iria vencer o GP por Ratzenberger. Iria, não fosse a batida na Tamburello, que depois do desastre deixou de ser curva e hoje é chicane – parte do circuito destinada à diminuição de velocidade.

Apesar de triste, aquele final de semana inesquecível trouxe consequência positivas sob o ponto de vista da segurança dos pilotos da categoria. A Fórmula 1 (F1) não tinha vítimas fatais desde 1982 – quando Riccardo Paletti morreu -, e a comoção mundial com a tragédia de Senna foi um ponto de inflexão. Victor Martins, jornalista do portal de automobilismo Grande Prêmio, explica que o acidente do brasileiro foi determinante para as mudanças na segurança não só na F1, mas em outras categorias também.

“A Fórmula 1 é hoje consequência do que aconteceu naquele final de semana, tanto com Senna quanto Ratzenberger. A F1 tinha carros e sistemas de segurança muito ruins, que poderiam causar essas mortes. Muita coisa foi feita em termos de segurança (depois da morte de Senna). Em 1996, por exemplo, aumentaram as laterais do cockpit. As laterais, nas cabeças dos pilotos, são (agora) protegidas. Chicanes foram criadas em muitas pistas. Isso tudo foi levando a evoluções na Fórmula 1 e em outras categorias também. Tudo que foi feito em termos de segurança, tem um Senna em sua origem”, disse Martins.

Por outro lado, Thiago Arantes, jornalista com passagem por ESPN e Grande Prêmio, acredita que a Fórmula 1 teria se tornado mais segura mesmo se Senna não tivesse falecido naquele fim de semana, porque “a morte do Ratzenberger já tinha sido um fator de motivação para que os pilotos se reunissem”.

“A ideia era voltar com o Senna como líder da associação. Ele acabou não conseguindo isso, mas ela continuou com o Berger (ex-companheiro de equipe de Senna) sendo um dos caras mais presentes ali. E essa associação, junto da FIA (organizadora da categoria), foi quem conseguiu melhorar a segurança nos anos seguintes. Nos anos 1995, 96, praticamente todas as pistas foram remodeladas para ter redução de velocidade, aumentar segurança; foi uma revolução o que aconteceu naqueles anos. A morte dele aumentou o poder da reivindicação”, avalia Arantes.

É possível dizer que todas as mudanças feitas para garantir a segurança no automobilismo e principalmente na Fórmula 1 vêm tendo sucesso. Na maior categoria do esporte, por exemplo, 21 anos foi o intervalo entre uma morte e outra – Senna em 1994 e Jules Bianchi em 2015. E o piloto francês acabou falecendo, após um bater em um trator que retirava outro carro da pista – ou seja, sem ligação direta com as medidas de segurança específicas dos carros e corridas. Senna sempre lutou pela segurança dos pilotos e seu acidente, mesmo que de forma lamentável, contribuiu para a melhoria desse quesito na categoria.

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