Rede Habib’s pede recuperação judicial por dívida de R$ 265 milhões, com reflexos em 10 unidades cearenses

O Grupo Gennius, responsável pela operação da conhecida rede de fast-food Habib’s, entrou oficialmente com um pedido de recuperação judicial. A iniciativa visa reestruturar uma dívida declarada que atinge a cifra de R$ 265,2 milhões. A decisão, protocolada recentemente, foi acatada pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, marcando um momento crítico para uma das maiores marcas do setor alimentício no Brasil.

No Ceará, o impacto da medida alcança diretamente 10 unidades do Habib’s, distribuídas em oito lojas na capital Fortaleza, uma no município de Eusébio e outra em Juazeiro do Norte. Apesar do cenário desafiador, o grupo assegura que as operações dessas franquias continuarão funcionando normalmente, sem previsão de fechamento imediato.

A escalada da crise e a busca por reestruturação

A entrada em recuperação judicial não foi a primeira opção do Grupo Gennius. Anteriormente, a empresa tentou uma negociação extrajudicial com seus credores. Em julho, uma tutela cautelar de 60 dias foi concedida, oferecendo um período de proteção contra cobranças e tempo para renegociar o passivo financeiro. Contudo, a falta de avanço nas conversas levou o conglomerado a buscar a via judicial como último recurso.

A deterioração financeira, conforme apontado pelo grupo, é multifacetada. Os efeitos prolongados da pandemia de COVID-19, que alteraram drasticamente os hábitos de consumo, somaram-se ao avanço das plataformas de delivery. Além disso, a persistência de juros elevados no mercado brasileiro aumentou significativamente o custo financeiro das operações, pressionando ainda mais o caixa da empresa.

Abrangência da operação e próximos passos legais

O processo de recuperação judicial é complexo e envolve uma vasta estrutura empresarial. Estão incluídas 10 franqueadoras e holdings, 17 sociedades operacionais, além de 119 lojas Habib’s, 26 unidades da marca Ragazzo e seis churrascarias Tendall. Essa abrangência demonstra a magnitude do desafio que o Grupo Gennius tem pela frente para reorganizar suas finanças.

A Justiça designou a KPMG Corporate Finance para atuar como administradora judicial do processo. Agora, o grupo tem um prazo rigoroso de 60 dias, sem possibilidade de prorrogação, para apresentar seu plano de recuperação. O não cumprimento desse prazo pode resultar na conversão do processo em falência, um desfecho que a empresa busca evitar a todo custo.

Impacto nas lojas e o cenário para o Ceará

Para os consumidores e colaboradores, a boa notícia é que, por enquanto, não há indicação de fechamento das unidades. O Grupo Gennius reforça que as operações seguem normalmente, e a recuperação judicial é vista como um passo estratégico para garantir a sustentabilidade e a continuidade do negócio a longo prazo. A medida visa preservar a estrutura e os empregos gerados pela rede.

A Justiça também emitiu determinações importantes, como a proibição de que credores sujeitos à recuperação interrompam contratos essenciais. Isso é válido desde que os serviços e insumos sejam pagos à vista, garantindo o fluxo operacional mínimo. Por outro lado, o pedido do grupo para liberar recebíveis e investimentos oferecidos como garantia aos bancos foi rejeitado pelo juiz, indicando a rigidez do processo.

A presença de 10 unidades no Ceará confere uma dimensão local a esta que é uma das maiores crises recentes do setor de alimentação fora do lar. Embora o estado não enfrente uma onda de fechamento de lojas neste momento, a situação reflete uma operação nacional que necessita de uma reorganização financeira sob supervisão judicial. O caso ilustra a profunda mudança no modelo de negócios do fast-food, onde o avanço do delivery e os juros elevados criaram um ambiente de pressão sobre custos e endividamento das empresas. Para mais detalhes sobre a situação, você pode consultar a matéria original.

O Habib’s, uma marca icônica do fast-food brasileiro, agora tem a tarefa de demonstrar que sua vasta escala — com 119 unidades próprias e franqueadas no grupo — pode ser convertida em capacidade de geração de caixa suficiente para renegociar os R$ 265,2 milhões em dívidas. A batalha decisiva, embora com reflexos em todo o país, será travada em São Paulo, onde o Gennius precisará convencer os credores da viabilidade de seu plano de recuperação.

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