Ibovespa recua com alta dos juros futuros e pressão do petróleo; dólar sobe

O Ibovespa recua nesta segunda-feira (14), pressionado pela alta dos juros futuros e pelo avanço do petróleo, enquanto o dólar sobe em meio ao ambiente de cautela nos mercados.

No cenário doméstico, a percepção de aumento de risco político com os últimos eventos envolvendo a crise do STF (Supremo Tribunal Federal) e as investigações envolvendo o Banco Master também pressionava o sentimento de agentes financeiros, que ainda repercutiam novas pesquisas eleitorais nesta sessão.

Por volta de 14h (de Brasília), o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, cedia 0,65%, a 186.001,38 pontos. Pela manhã volume financeiro somava R$ 4,31 bilhões.

O dólar, por sua vez, iniciou a semana em alta ante o real, influenciado pelo avanço da moeda americana no exterior e pelas repercussões do cenário político brasileiro.

No mesmo horário, o dólar à vista subia 0,47%, a R$ 5,14 na venda.

Na sexta-feira (11), a moeda fechou em alta de 0,47%, recuperando os R$ 5,1252 na venda.

Juros futuros
As taxas dos DIs também operavam em alta, seguindo a preocupação do mercado com o cenário eleitoral, enquanto no exterior os rendimentos dos Treasuries e o petróleo subiam.

Por volta das 10h, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,695%, em alta de 7 pontos-base ante o ajuste de 13,625% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,3%, com elevação de 12 pontos-base ante 14,179%.

Em função do conflito entre Estados Unidos e Irã, investidores voltaram a buscar ativos mais seguros nesta segunda-feira, como o dólar, enquanto o petróleo Brent voltou a se aproximar dos US$ 110 o barril, reforçando as preocupações com a inflação nos países.

Trade eleitoral
A pesquisa Nexus/BTG divulgada antes da abertura nesta segunda-feira mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) soma agora 42% das intenções de voto no primeiro turno, ante 39% na pesquisa da semana passada, ao passo que o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 37%, ante 35% no levantamento anterior.

O cenário de segundo turno continuou mostrando empate técnico, mas com Lula voltando a liderar com 47%, ante 45% na pesquisa anterior, enquanto Flávio se manteve com 46% das intenções de voto.

Também nesta manhã a pesquisa Quaest divulgada pelo jornal O Globo mostrou Flávio com 42%, enquanto Lula soma 40% em um eventual segundo turno.

Na pesquisa anterior, divulgada há uma semana, ambos estavam empatados numericamente com 41%. Ambos permanecem em empate técnico.

O Nexus ouviu 2.003 pessoas entre os dias 11 e 13 de setembro e a Quaest ouviu também 2.003 pessoas, mas entre os dias 10 e 13 de setembro.

Na visão de estrategistas do JPMorgan, a eleição presidencial brasileira de 2026 é o principal catalisador doméstico para os ativos brasileiros neste ano.

“As pesquisas eleitorais vêm mostrando uma disputa mais apertada e agora estão dentro da margem de erro, tornando o resultado altamente incerto e reforçando a perspectiva de volatilidade elevada nos mercados no período em torno da eleição.”

Investidores também continuam monitorando os potenciais desdobramentos da crise no STF e da retirada de sigilo de parte das investigações sobre o Banco Master, em particular as informações relacionadas ao filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O ministro Flávio Dino, do STF, retirou no domingo o sigilo das investigações que apuram se houve desvio de emendas parlamentares para a realização do filme “Dark Horse” e determinou que a Polícia Civil de São Paulo encaminhe à Polícia Federal o material coletado nas investigações sobre o caso.

“O risco político aumentou”, avaliou o responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, destacando que notícias sobre o caso já haviam interrompido parcialmente o trade pró-Flávio na sexta-feira, diante do receio de que novas revelações possam atingir sua campanha.

No exterior, o presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, defendeu no sábado que empresas de IA diminuam o ritmo de avanço das capacidades dos modelos por receio de uso indevido da inteligência artificial, o que foi endossado por Elon Musk, que dirige a xAI, e pelo CEO da OpenAI, Sam Altman.

Em Nova York, o S&P 500 recuava 0,55%, em pregão marcado por queda de ações de empresas ligadas à IA em todo o mundo.

Em paralelo, o barril de petróleo sob o contrato Brent LCOc1 avançava 4,07%, a US$ 108,87, depois que novos ataques a infraestruturas energéticas e civis da Arábia Saudita e ataques iranianos a navios no Golfo agravaram as preocupações com o abastecimento, após o fechamento de um importante oleoduto saudita.

 

Fonte:CNN Brasil