Preferência por Messi ou Cristiano Ronaldo revela alinhamento político, aponta estudo
Um estudo internacional recente revelou uma conexão intrigante entre a preferência por ícones do futebol mundial, como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, e o posicionamento político dos torcedores. A pesquisa, conduzida por acadêmicos de Singapura e da Espanha, sugere que a escolha entre o argentino e o português pode ir além do campo, refletindo tendências ideológicas e traços de personalidade.
Publicado em 5 de junho na plataforma acadêmica Psypost, o levantamento analisou dados de mais de 10 mil participantes em 26 países, abrangendo 6 continentes. Os resultados apontam para uma correlação notável: indivíduos com inclinações mais liberais tendem a apoiar Messi, enquanto os mais conservadores demonstram maior apreço por Cristiano Ronaldo.
A conexão surpreendente entre futebol e ideologia política
A pesquisa, realizada entre abril e maio de 2026, coletou avaliações detalhadas sobre os dois jogadores e cruzou-as com características individuais dos participantes. Os pesquisadores concluíram que a ideologia política se destacou como a variável individual mais significativa para explicar a preferência por um dos atletas, superando outros fatores demográficos ou sociais.
Essa descoberta sublinha como figuras públicas de grande alcance, mesmo no esporte, podem se tornar símbolos que ressoam com diferentes conjuntos de valores e crenças, influenciando a percepção e o apoio do público de maneiras que transcendem o desempenho atlético.
Perfis de torcedores: o que Messi e CR7 representam
O estudo detalhou as associações de cada jogador com diferentes traços de personalidade e valores. Lionel Messi foi frequentemente ligado a características como espírito coletivo, discrição e uma forte dedicação à família e ao grupo. Essas qualidades, segundo os autores, tendem a se alinhar mais com perspectivas liberais.
Por outro lado, Cristiano Ronaldo foi associado a traços como dominância individual e maior autopromoção, características que, na análise dos pesquisadores, se conectam a valores mais conservadores. Além disso, a preferência por CR7 também foi relacionada a níveis mais elevados de autoestima, traços de autoritarismo e um maior consumo de vídeos curtos em redes sociais.
Já a identificação com Messi mostrou uma associação, embora menor, com níveis mais altos de reflexão cognitiva, indicando uma possível ligação com um pensamento mais analítico e ponderado.
Fatores além da política na paixão esportiva
Apesar da forte correlação com a ideologia política, os autores do estudo enfatizam que elementos tradicionais continuam a desempenhar um papel crucial na formação da preferência dos torcedores. Fatores como o clube de coração, memórias da infância ligadas ao esporte, o estilo de jogo de cada atleta e a identificação construída ao longo de suas carreiras permanecem como pilares importantes na decisão de quem torcer.
A paixão pelo futebol é multifacetada, e embora a política possa ser um novo prisma para entender essa dinâmica, ela não anula a complexidade das relações que os fãs estabelecem com seus ídolos.
O cenário global e a polarização da torcida
A pesquisa também observou que a influência da ideologia política na preferência esportiva é mais acentuada entre jovens e adultos de meia-idade. Esses grupos cresceram em um período marcado por uma crescente polarização política e pela onipresença das redes sociais, que amplificam discursos e identidades.
Houve também variações significativas entre os países. Em 19 dos 26 analisados, uma preferência clara por um dos jogadores foi identificada. A Argentina, como esperado, liderou o apoio a Messi, enquanto a Indonésia mostrou a maior identificação com Cristiano Ronaldo.
Brasil: um campo neutro na disputa de craques
Curiosamente, o Brasil se destacou como um dos países onde a preferência pelos dois craques é notavelmente equilibrada. Os entrevistados brasileiros atribuíram avaliações muito próximas a ambos os jogadores: 5,82 para Cristiano Ronaldo e 5,80 para Messi, em uma escala de 7 pontos. Esse resultado sugere um alto nível de aprovação para ambos os atletas no país, indicando que, para os brasileiros, a rivalidade ideológica pode não ser tão definidora quanto em outras nações.
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