Inflação dos alimentos em janeiro é a menor desde 2006, ano do segundo governo Lula

A inflação de alimentos registrou a menor alta para janeiro em duas décadas no Brasil. O grupo alimentação e bebidas subiu 0,23% no primeiro mês de 2026, conforme dados divulgados nessa terça-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado integra o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e contraria o padrão histórico de pressão maior sobre os preços no início do ano.

O grupo alimentação e bebidas tem o maior peso no IPCA e costuma apresentar variações mais elevadas entre o fim e o começo do ano, devido a fatores sazonais de oferta e demanda.

A alta de 0,23% em janeiro de 2026 só supera a variação de janeiro de 2006, quando o índice foi de 0,11%. Segundo o IBGE, trata-se da segunda menor taxa para meses de janeiro desde o início do Plano Real, em 1994. Em dezembro de 2025, o grupo havia avançado 0,27%.

Inflação de alimentos em janeiro é a segunda menor desde o Plano Real
Economistas atribuem o comportamento dos preços à combinação de safra elevada e câmbio mais favorável ao longo de 2025.

“É uma reação a boas safras e apreciação cambial no ano passado”, afirma o economista Fábio Romão, sócio da consultoria Logos Economia.

Dentro do grupo alimentação e bebidas, a alimentação no domicílio — que reúne produtos consumidos em casa — subiu apenas 0,10% em janeiro, após alta de 0,14% em dezembro.

O IBGE registrou queda em itens básicos. O leite longa vida recuou 5,59% no mês, enquanto o ovo de galinha ficou 4,48% mais barato.

Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IPCA, explicou que o recuo do leite está ligado à ampliação dos estoques, resultado do aumento da produção interna e das importações. Já a redução no preço do ovo foi associada ao menor consumo durante as férias e à queda no custo da ração.

Por outro lado, alguns alimentos pressionaram o índice. O tomate subiu 20,52% em janeiro, influenciado por problemas na oferta e impactos climáticos. “Teve aumento de descarte. Deu uma pressionada no preço”, disse o pesquisador.

As carnes tiveram alta média de 0,84%. O contrafilé avançou 1,86% e a alcatra, 1,61%.

Projeção aponta pressão maior nos alimentos em 2026
Nos 12 meses de 2025, a inflação acumulada da alimentação no domicílio ficou em 1,43%. Para Fábio Romão, no entanto, a repetição de um resultado tão baixo em 2026 é improvável.

O economista aponta fatores como possível alta das carnes e efeitos climáticos sobre a produção agrícola. Ele também menciona a redução na oferta de animais para abate, o que pode pressionar os preços.

A estimativa da consultoria é de inflação de 3,8% para a alimentação no domicílio em 2026. Caso o cenário se confirme, os alimentos devem voltar a impactar o IPCA, ainda que em nível inferior à média de 7,8% registrada entre 2011 e 2025.

Fonte: GC+