Japão prepara novas certificações para segurança de data centers

O governo do Japão planeja estabelecer um sistema rigoroso para certificar a segurança de data centers e serviços em nuvem. A iniciativa tem como objetivo principal incentivar o uso de infraestruturas altamente protegidas em setores estratégicos, como finanças e saúde, enquanto busca mitigar riscos cibernéticos e de vazamento de informações.

Proteção de infraestrutura crítica e novos padrões

O novo modelo de certificação deve entrar em vigor após o ano fiscal de 2027 e abrangerá tanto operadores de data centers instalados em solo japonês quanto provedores de serviços em nuvem com servidores locais. Entre os critérios avaliados estarão a estrutura acionária das empresas, os protocolos internos de gerenciamento de riscos e a origem dos equipamentos utilizados.

Organizações que lidam com dados sensíveis e informações de interesse para a segurança nacional serão fortemente incentivadas a contratar apenas fornecedores certificados. A medida busca blindar o ecossistema digital do país contra vulnerabilidades que possam comprometer a estabilidade de serviços essenciais.

Mudanças na legislação e supervisão governamental

Para viabilizar a medida, o governo pretende propor alterações na Lei de Promoção da Segurança Econômica durante a sessão parlamentar ordinária iniciada em janeiro. Com a legislação revisada, as autoridades ganharão autonomia para emitir ordens de interrupção em projetos que representem ameaças diretas à integridade dos dados.

Embora as instituições mantenham liberdade formal de escolha, companhias que gerenciam informações pessoais sensíveis passarão por fiscalizações rigorosas. Na prática, a recomendação governamental tornará quase inviável o uso de infraestruturas que não possuam a chancela oficial de segurança.

Inspiração em modelos existentes e contexto global

O formato das novas certificações deve se basear em selos já existentes, como o programa JC-STAR, administrado por um órgão ligado ao Ministério da Economia, Comércio e Indústria do país. Medidas semelhantes já são adotadas por potências internacionais, a exemplo de diretrizes rigorosas na União Europeia e na Coreia do Sul voltadas para a proteção de dados críticos.

Até o momento, o território japonês carecia de uma regulação abrangente voltada especificamente para operadores de infraestrutura de informação. Especialistas apontam que a dependência de tecnologias externas e a legislação de países terceiros — que exigem cooperação com serviços de inteligência — motivaram a criação deste novo cerco regulatório.

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