Justiça mantém prisão de 231 torcedores envolvidos em brigas de torcidas no Ceará

Brigas foram registradas em diferentes bairros de Fortaleza, poucas horas antes do primeiro Clássico-Rei do ano. Mais de 300 pessoas foram capturadas, entre adultos e adolescentes.

Após dois dias de uma maratona de audiências que exigiu mobilização de mais juízes e mais procuradores, o Tribunal de Justiça do Ceará manteve a prisão de 231 adultos suspeitos de envolvimento nas brigas entre torcedores do Ceará e do Fortaleza, ocorridas em vários bairros da capital cearense no domingo (8). Um adolescente teve a internação provisória aplicada.

Ao todo, foram 359 pessoas detidas, de acordo com dados do TJ, sendo 113 adolescentes e 246 adultos. Dos adultos, 231 tiveram as prisões em flagrante convertidas em preventivas, e outros 15 foram liberados. Dos 15 liberados, 12 estão sob medidas cautelares.

 

Os suspeitos foram ouvidos nesta segunda (9) e ao longo desta terça-feira (10), quando os depoimentos foram concluídos. Diante do elevado número de prisões em flagrante, o Tribunal de Justiça do Ceará designou, em caráter excepcional, dez magistrados para reforçar os trabalhos nesta terça.

Entenda: Neste domingo (8), aconteceu o primeiro Clássico-Rei de 2026. Antes da partida entre Ceará e Fortaleza, torcedores se envolveram em brigas generalizadas em diferentes pontos da capital. De acordo com a Polícia militar, cerca de 350 pessoas foram capturadas, entre adultos e adolescentes, conforme apuração da TV Verdes Mares.

O Ministério Público do Ceará (MPCE) também ampliou de 4 para 11 o número de procuradores atuando para acompanhar o caso.

No caso dos adolescentes, o Tribunal de Justiça informou que dos 113 apreendidos, 97 foram liberados ainda na Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) e 16 foram apresentados à 5ª Vara da Infância e Juventude da Comarca de Fortaleza.

Dos 16 levados à Justiça, 12 tiveram aplicada a medida socioeducativa de liberdade assistida. Outros três tiveram a liberdade decretada e um teve a internação provisória aplicada.

Briga de torcedores
Imagens gravadas por testemunhas mostram o momento que os torcedores trocaram socos e chutes em via pública neste domingo, antes do Clássico-Rei. As ocorrências foram registradas em bairros como Barra do Ceará, Edson Queiroz, Bom Jardim e Passaré (veja no vídeo acima).

Pelas imagens, foi possível identificar torcedores do Fortaleza brigando entre si e torcedores do Ceará também brigando entre si. Também houve confrontos das torcidas rivais uma contra a outra. Na confusão, os suspeitos utilizaram paus, pedras, rojões, socos-ingleses e até mesmo artefatos explosivos.

Os detidos que tiverem a participação comprovada nos confrontos podem ser autuados nos crimes de associação criminosa, corrupção de menores, lesão corporal, desacato, desobediência, resistência e além de tumulto no contexto da Lei Geral do Esporte.

Em uma das ocorrências, registrada no Bairro Edson Queiroz, equipes do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio) capturaram 184 pessoas, sendo 103 adultos e 81 adolescentes, integrantes de ambas as torcidas.

Com o grupo, foram apreendidos socos-ingleses, rojões, balaclavas, entorpecentes, celulares, isqueiros, artefatos explosivos artesanais, entre outros objetos.

Em outro vídeo, também gravado neste domingo, torcedoras do Fortaleza foram flagradas obrigando torcedoras do Ceará a retirarem camisas do time adversário nas imediações da Arena Castelão. O flagra passou a circular rapidamente nas redes sociais.

Nas imagens, torcedoras do Ceará aparecem sendo coagidas a tirar as camisas, que em seguida teriam sido roubadas pelas torcedoras do time adversário. A situação ocorreu em via pública, e as vítimas chegaram a ficar com partes íntimas expostas após a abordagem violenta.

MP investiga ordem de facção proibindo brigas de torcidas

Mensagens que seriam ordens de uma facção criminosa a líderes de torcidas organizadas no Ceará circulam na internet. O grupo criminoso teria ordenado a proibição de brigas entre torcedores do Ceará e Fortaleza. O g1 confirmou que as mensagens chegaram ao conhecimento do Ministério Público do estado (MPCE), que investiga o caso.

Além das mensagens, os presidentes de duas das maiores torcidas organizadas dos clubes cearenses gravaram vídeos renunciando aos cargos. Nas imagens, Weslley Paulo (conhecido como Dudu) e Anderson Xiboi afirmaram que não são mais líderes da Torcida Organizada Cearamor (TOC) e Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF), respectivamente.

No entanto, não há ainda confirmação se as saídas foram causadas pelos “salves” da facção criminosa. O g1 entrou em contato com ambos os ex-presidentes, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.

Nas mensagens que circulam nas redes sociais, a facção teria proibido as brigas entre torcedores, pois os conflitos “trazem problemas para a organização [o grupo criminoso] e sistema para dentro da quebrada” — em referência à presença de policiais que são acionados para as brigas.

O g1 questionou a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará sobre as mensagens da facção. Em nota, o órgão informou que a Polícia Civil do Ceará apura todas as informações de ações criminosas que chegam ao conhecimento das autoridades policiais. A SSPDS reforça que setores de Inteligências das Forças de Segurança do Estado auxiliam os trabalhos policiais.

Fonte: G1 Ce