Líder do Comando Vermelho na Serra da Ibiapaba é preso em operação na BR-222; histórico explosivo inclui mais de 50 processos e oito homicídios

A quarta-feira (12) terminou com uma das prisões mais comentadas do ano na região Norte do Ceará: Valério Rodrigues de Araújo, o “Lerim”, 34 anos, apontado pela Polícia Civil como líder do Comando Vermelho na Serra da Ibiapaba, foi capturado na BR-222, em Tianguá, próximo a um posto da PRF. A operação, que reuniu equipes da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Civil do Ceará (PCCE), aconteceu após um trabalho de inteligência que monitorava o deslocamento do suspeito.

Valério, que estava foragido da Justiça, já havia sido preso quatro vezes e acumula desde 2012 um dos históricos criminais mais robustos da região. Em seu nome, a polícia aponta cerca de 50 processos, incluindo 6 homicídios dolosos confirmados, 2 em investigação, além de acusações por tráfico de drogas, porte ilegal de arma, crimes contra a administração pública e crimes de trânsito.


Prisão com clima de operação de alto risco

No momento da abordagem, ‘Lerim’ retornava de Fortaleza para Tianguá em um Jeep Compass prata alugado. O veículo e o aparelho celular foram apreendidos e encaminhados para perícia. Uma mulher que o acompanhava foi conduzida para esclarecimentos, mas acabou liberada.

As equipes classificaram a prisão como de alto risco, já que Valério era considerado um alvo perigoso e com forte atuação no crime organizado. Seu nome aparece em diversas investigações que envolvem disputa territorial, tráfico de drogas e execuções na região da Ibiapaba.


Quem é ‘Lerim’? O homem por trás do nome que virou símbolo do crime na Ibiapaba

Apesar do vasto prontuário, Valério informou à Justiça que trabalhava como verdureiro. Ele tem três filhos, incluindo um adolescente autista, e possui apenas o ensino fundamental incompleto. Natural de 17 de maio de 1991, ‘Lerim’ se declara pardo e está separado da esposa.

A polícia, porém, o aponta como um dos principais articuladores do Comando Vermelho no interior do Ceará, com forte ligação com células da facção e histórico de violência extrema. Em uma das prisões anteriores, em 2020, foram encontrados na residência dele balanças de precisão, cocaína, coldres, dinheiro e cápsulas de calibre .380 e .40.


O que diz a defesa?

O advogado Heitor Fontenele, que representa Valério, afirma que o caso ainda está em fase inicial e defendeu o direito ao contraditório:

“Ainda é prematura qualquer análise quanto aos fatos, todavia, com o exercício da ampla defesa e o contraditório, todas as acusações serão devidamente combatidas.”

Até o fechamento desta matéria, a defesa não havia emitido novo posicionamento. O espaço permanece aberto.

Imagem mostra Valério Rodrigues de Araújo, conhecido como Lerim, de camiseta preta e óculos escuros na cabeça olhando para a câmera.
Legenda: Líder do CV responde a cerca de 50 processos criminais. Foto: Divulgação.

Caso gera repercussão

A prisão movimentou grupos de mensagens, redes sociais e comunidades de Sobral e toda a Ibiapaba, reacendendo debates sobre violência, avanço das facções e a sensação de insegurança na região. Moradores relatam alívio, enquanto especialistas alertam que a captura de líderes pode gerar reorganização interna das facções.