Maioria dos brasileiros acredita que IA facilitará compras de fim de ano
Os brasileiros terão uma ajuda extra na hora de escolher os presentes de Natal. Uma pesquisa da plataforma de comunicação em nuvem Sinch aponta que 78% dos consumidores no país acreditam que a IA vai facilitar as compras no final de ano.
A tendência brasileira vai na contramão do cenário global, que apresentou uma percepção mais moderada, com apenas 43% dos consumidores concordando que a IA ajudará nas compras. O número foi uma redução em relação a 2025, com 48%.
A pesquisa ouviu 2.501 pessoas nos Estados Unidos, Austrália, Brasil, Reino Unido, França, Alemanha, México e Espanha. No geral, a tendência global é de desconfiança sobre o potencial da IA no comércio.
Confiança na IA depende da aplicação
Enquanto o Brasil lidera a percepção positiva sobre inteligência artificial no comércio, os Estados Unidos estão do lado oposto. Por lá, apenas 26% dos entrevistados acreditam que a IA ajudará nas compras de fim de ano, enquanto 43% afirmam que a tecnologia não terá esse papel.
Mas a confiança aumenta quando a IA resolve problemas concretos, mostrando que a percepção sobre a tecnologia depende da aplicação prática. A nível global, 81% dos entrevistados afirmam confiar em um assistente de IA para rastrear pedidos e acompanhar atualizações de entrega, enquanto 74% confiam para tirar dúvidas sobre um produto.
A confiança diminui para 66% em alterações de conta e 62% em questões relacionadas a pagamentos e faturamento.
Para o CEO da Sinch na América Latina, Mario Marchetti, o alto nível de confiança brasileira na tecnologia tem a ver com a crença na eficácia da inteligência artificial. No entanto, a IA precisa se provar na prática.
“O consumidor não está interessado em usar IA simplesmente porque é uma novidade. Ele quer perceber que ela facilita sua vida, seja ajudando a encontrar um produto, responder uma dúvida, acompanhar uma entrega ou resolver um problema com mais rapidez”, afirmou à CNN Brasil.
Consumidores aceitam IA, mas ainda preferem humanos
O levantamento também mostra que a perceção positiva aumenta quando a IA deixa de fornecer informações e passa a dar recomendações.
A nível global, 53% das pessoas confiam mais na recomendação de pessoas reais, enquanto 47% confiam na tecnologia tanto quanto em humanos — ou até mais. Apenas 3,8% confiam mais nas recomendações de IA.
Em casos de atendimento por voz, a confiança balança: 48% confiam mais em agentes humanos do que IA, contra 32% que confiam nos dois formatos.
No geral, a resistência à inteligência artificial é pequena. Apenas uma das 2.501 pessoas entrevistadas disse não querer interagir com um chatbot de IA em nenhum caso.
Segundo Marchetti, para aumentar a confiança, as empresas precisam deixar claro quando o consumidor está interagindo com uma IA, quais informações são utilizadas e com qual finalidade.
“Também é importante dar controle ao consumidor. Ele precisa saber que existe a possibilidade de recorrer a uma pessoa quando não se sentir confortável ou quando a situação exigir uma análise mais complexa”, explicou.
Consumidores mantêm preocupações
Mesmo com o otimisto, os consumidores se mantêm cautelosos: 43% revelou se preocupar com privacidade e uso de dados por parte das IAs. Outros 17,5% têm ressalvas quanto a possíveis falhas de comunicação, e 17% quanto a mensagens excessivas ou irrelevantes.
Apenas 7% disse não ter nenhuma preocupação.
Fonte:CNN Brasil

