Mauro Mendes e Fábio Garcia são investigados em operação da PF sobre acordo de R$ 308 milhões em Mato Grosso
O ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União Brasil) e o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) estão entre os investigados em uma operação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira (6). A investigação apura suspeitas de irregularidades envolvendo mais de R$ 308 milhões pagos pelo Governo de Mato Grosso em um acordo relacionado à operadora de telefonia Oi. Mendes deixou o governo em março deste ano para disputar uma vaga no Senado.
Batizada de Operação Heritage, a ação envolve o cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. As medidas foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Além das buscas, foram determinadas medidas como bloqueio e indisponibilidade de bens em até aproximadamente R$ 316 milhões, quebra dos sigilos bancário e fiscal, recolhimento de passaportes e proibição de contato entre investigados.
Entre os investigados também estão pessoas ligadas aos setores político e jurídico de Mato Grosso. Fábio Garcia, que foi chefe da Casa Civil durante a gestão de Mauro Mendes e atualmente disputa a eleição como candidato a vice-governador, aparece na investigação. O desembargador Ricardo Almeida, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que atuava como advogado na época da negociação, também é citado. A operação ainda alcançou integrantes da Procuradoria-Geral do Estado.
A investigação teve origem na análise do acordo firmado pelo Estado de Mato Grosso para encerrar uma disputa envolvendo valores cobrados pela Oi. O entendimento foi celebrado em abril de 2024 e estabeleceu o pagamento de cerca de R$ 308 milhões, enquanto o valor reivindicado anteriormente ultrapassava R$ 700 milhões. Segundo a Polícia Federal, existem indícios de que uma estrutura formada por fundos de investimento e empresas intermediárias pode ter sido utilizada para movimentar e ocultar a destinação de parte dos recursos.
A apuração busca esclarecer possíveis crimes de peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa, infrações contra o Sistema Financeiro Nacional e eventual uso indevido de informação privilegiada. Conforme informações divulgadas durante a investigação, recursos relacionados ao acordo teriam passado por fundos de investimento antes de chegar aos destinatários finais. As autoridades agora tentam identificar o caminho percorrido pelo dinheiro e se houve desvio de recursos públicos.
Em manifestação anterior sobre o caso, Mauro Mendes defendeu a legalidade do acordo e afirmou que a negociação havia sido homologada pela Justiça e proporcionado economia aos cofres estaduais. Fábio Garcia também já negou participação na celebração do acordo e qualquer envolvimento com fundos ou empresas relacionados ao caso. Nesta quinta-feira, a Procuradoria-Geral do Estado informou que confia no trabalho da Polícia Federal, afirmou que colaborará com as investigações e declarou acreditar que os fatos serão esclarecidos. A investigação permanece em andamento e os citados são tratados como investigados, sem condenação relacionada aos fatos apurados na operação.
Fonte: G1

