Medo acompanha rotina de mulheres em apps de transporte no Ceará, aponta levantamento

Antes mesmo de entrar em um carro por aplicativo, muitas mulheres já seguem um roteiro silencioso de segurança: conferem o perfil do motorista, compartilham a localização em tempo real e observam qualquer comportamento fora do comum. O que parece hábito é, na prática, um “manual de autoproteção” incorporado à rotina.

Esse comportamento reflete uma realidade marcada pela insegurança. No Ceará, 56% das mulheres afirmam se sentir inseguras ao utilizar transporte individual por aplicativo, como Uber e 99.

Apesar da popularidade desses serviços, impulsionados pela praticidade e pelo custo-benefício em comparação ao transporte público coletivo, o uso por parte das mulheres ainda é atravessado pela cultura do medo. Para muitas, a conveniência não elimina a necessidade constante de vigilância.

Entre os principais receios, o estupro aparece como a violência mais temida nesse tipo de deslocamento. O dado evidencia não apenas a vulnerabilidade percebida, mas também a falta de sensação de segurança mesmo em serviços amplamente utilizados no dia a dia.

Especialistas apontam que a repetição desses cuidados revela um problema estrutural: a naturalização do medo e a adaptação feminina a contextos de risco. Enquanto isso, cresce a demanda por medidas mais eficazes de proteção, tanto por parte das plataformas quanto do poder público.

Fonte: Diário do Nordeste