Mês de janeiro registra volume de chuvas 30% abaixo da média no Ceará

Janeiro de 2026 teve uma média de chuvas de 69 milímetros, no estado, conforme monitoramento da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos do Ceará (Funceme). O número é 30,8% abaixo da média observada para o mês, que é de 99,8 mm.

No mês de dezembro, a diferença foi ainda mais preocupante: foi registrada uma média de 17,7 mm para o período, equivalente a 43,5% abaixo da média, de 31,3 mm. O cenário, com isso, é de uma pré-estação com resultados abaixo do usual, reforçando as perspectivas negativas para a quadra chuvosa.

Nos registros dos municípios, os principais destaques em janeiro, no volume de chuvas, foram os municípios do litoral oeste, ao norte do Ceará; e municípios da região do Cariri, ao sul. As maiores médias foram observadas em Camocim (226 mm), Missão Velha (225,7 mm), Barbalha (214,3 mm), Abaiara (208 mm), Bela Cruz (188,4 mm), Itapipoca (181,3 mm) Porteiras (181,2 mm) e Várzea Alegre (178,9 mm).

Por outro lado, os municípios com as menores médias registradas de chuva em janeiro foram Jati (40,7 mm), Umari (42 mm), Baixio (50 mm), Mauriti (63 mm), Penaforte (75 mm), Milagres (86 mm) e Ipaumirim (91,4 mm).

Na capital Fortaleza, foi observada uma média de 122,7 mm no mês, o que é considerado dentro do usual para o período, com um leve desvio positivo (4,6% a mais do que a média observada pela Funceme).

Segundo a Funceme, a pré-estação de 2026 é a segunda pior já registrada pela Fundação, em volume de chuvas. A pré-estação mais seca foi observada em 1982, há 44 anos. O período de pré-estação chuvosa no Ceará compreende os meses de dezembro e janeiro, atuando como fase de transição antes da quadra chuvosa principal, que ocorre de fevereiro a maio.

Conforme informado, o prognóstico climático para o trimestre (compreendendo os meses de fevereiro, março e abril) é de 40% de probabilidade de chuvas abaixo da média; 40% de probabilidade de níveis normais de chuvas; e 20% de probabilidade de chuvas acima da média.

A probabilidade de chuvas abaixo da média preocupa, conforme os analistas da Funceme, inclusive porque hoje a capacidade dos reservatórios do estado gira em torno de 38%, segundo a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Estado do Ceará (Cogerh).

Seca grave relativa

De acordo com a atualização mais recente do Mapa das Secas, 42,04% do território cearense apresenta condição de seca grave, atingindo diretamente 95 municípios do estado. Esse é o pior cenário registrado desde dezembro de 2018, quando se observa a proporção de área afetada por seca grave. O agravamento do quadro está associado, principalmente, à escassez de chuvas ao longo do segundo semestre de 2025, período que normalmente contribui para a recomposição hídrica em diferentes regiões do estado, mas que, desta vez, apresentou volumes abaixo do esperado.

Com o avanço da seca grave, os impactos já começam a ser sentidos em diversas áreas. Entre os principais efeitos destacados pelo Monitor estão as perdas prováveis de culturas agrícolas e pastagens, a escassez de água em comunidades rurais e urbanas e a imposição de restrições no uso da água, especialmente em municípios mais vulneráveis.

Fonte: GC+