Ex-vereador Milton Leite é declarado foragido em operação contra o crime organizado
O cenário político e de segurança pública em São Paulo foi abalado nesta quinta-feira com a deflagração da Operação “Vectura Corrupta”. O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (União Brasil), é agora considerado foragido pela polícia, após não se apresentar para cumprir um mandado de prisão.
A ação, fruto de uma colaboração entre o Ministério Público e a Polícia Civil do Estado de São Paulo, tem como foco principal a investigação de uma complexa rede de infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no setor de transporte público e em candidaturas políticas, revelando a profundidade da atuação criminosa em esferas cruciais da sociedade.
O Cerco se Fecha: Ex-Vereador Milton Leite Foragido
A Operação “Vectura Corrupta” mobilizou as forças de segurança para cumprir 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Até o momento, dez pessoas foram detidas, mas seis alvos permanecem em paradeiro desconhecido, entre eles o ex-vereador Milton Leite.
Apesar de ter emitido uma nota pública, na qual alegava estar em viagem e prometia se entregar às autoridades em até 24 horas, o prazo estabelecido expirou sem que a apresentação ocorresse. Diante da ausência, a polícia formalizou a situação de Milton Leite como foragido, intensificando as buscas pelo político.
A Teia do Crime Organizado no Transporte e na Política
As investigações revelam um preocupante domínio do PCC sobre o sistema de transporte coletivo. Estima-se que a facção criminosa controle 12 das 22 empresas de ônibus que operam na capital paulista, além de ramificações em cidades do ABC Paulista e da Baixada Santista. Essa influência se estenderia a empresas como a Transwolff, que, segundo depoimentos de investigados, seria de propriedade de Milton Leite – acusação veementemente negada por ele.
Além do controle do transporte, a operação apura o suposto financiamento de campanhas eleitorais pelo PCC. O foco está nas eleições municipais de 2024, com destaque para a cidade de Praia Grande, e em outros pleitos recentes. O objetivo da facção seria infiltrar candidatos financiados por ela em cargos públicos, buscando expandir sua influência e poder dentro da estrutura estatal.
Outros Nomes na Mira da Justiça e as Conexões Investigadas
Entre os demais indivíduos visados pela operação, destaca-se Danilo Marco Morgado da Silva. Ele foi candidato derrotado à Prefeitura da Praia Grande em 2024 e atualmente disputa uma vaga como deputado estadual. Sua ligação com o crime organizado não é recente, tendo sido alvo da Operação “Decúrio” em 2024, quando um mandado de busca e apreensão foi cumprido em seu nome.
As apurações indicam um forte vínculo entre Danilo Morgado e o PCC, com evidências de financiamento da facção em sua campanha eleitoral. Em resposta à recente operação, Morgado divulgou uma nota afirmando que já havia sido alvo de um processo movido pelo prefeito da Praia Grande, Alberto Mourão (MDB), por denunciar supostas licitações ligadas ao PCC na prefeitura, ecoando denúncias feitas anteriormente pelo delegado Ruy Ferraz Fontes.
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