Mineração da Braskem: entenda como solo afundou em Maceió e obrigou 60 mil pessoas a deixarem suas casas
A petroquímica Braskem informou, nesta segunda-feira (24), que vai entrar com um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar uma dívida bilionária. A empresa era responsável pela mineração de sal-gema em Maceió em 2018, quando tremores foram sentidos em diversos bairros da capital alagoana.O episódio revelou uma série de problemas nos anos seguintes, que vão de rachadura de imóveis, relocação de cerca de 60 mil pessoas para outros bairros, e colapso de uma das minas de exploração de sal-gema.
O g1 fez uma linha cronológica com os principais acontecimentos, desde o início da extração do minério, na década de 1970, até a aceitação da denúncia por parte da Justiça Federal, que apura a atuação de ex-dirigentes e técnicos no desastre socioambiental na capital alagoana.
Cronologia
- A mineração em Maceió começou em 1976, com a empresa Salgema Indústrias Químicas S/A que, posteriormente, passou a se chamar Braskem. A extração de sal-gema, minério utilizado na fabricação de soda cáustica e PVC, tinha autorização do poder público.
- Em 1996, a empresa mudou de nome para Trikem, após passar por mudança de administração no ano anterior, de 1995.
- O nome só passou a ser Braskem em 2002, quando a Trikem se fundiu com outras empresas. Em 2012, a Braskem inaugurou uma fábrica de PVC no Polo Industrial de Marechal Deodoro, na região metropolitana de Maceió.
- Em fevereiro de 2018, surgiram as primeiras grandes rachaduras no bairro do Pinheiro, uma delas com 280 metros de extensão. No mês seguinte, um tremor de magnitude 2,5 agravou as rachaduras e crateras no solo, provocando danos irreversíveis nos imóveis.
- Já no início de 2019, o piso de um apartamento no Pinheiro afundou de repente e assustou os moradores. Novos buracos surgiram e a Defesa Civil Municipal precisou evacuar um prédio e interditar uma rua por questões de segurança.
- Meses depois, moradores do Mutange e do Bebedouro, bairros vizinhos, também relataram o surgimento de diversas rachaduras. Em algumas casas, o piso cedeu e as paredes apresentam grandes fissuras.
- Em maio de 2019, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), órgão ligado ao governo federal, confirmou que a extração de sal-gema feita pela Braskem provocou a instabilidade no solo.
- Só então foram emitidas as primeiras ordens de evacuação para moradores do Pinheiro, Mutange e Bebedouro. Com o problema se agravando, a ordem também foi ampliada para parte do Bom Parto e do Farol.
- Foi somente em novembro de 2019 que a Braskem anunciou a decisão de fechar definitivamente poços de extração de sal-gema em Maceió.
- A partir dessa decisão, um trabalho foi iniciado pela Braskem para fechamento e estabilização de 35 minas com profundidade média de 886 metros na região do Mutange e de Bebedouro. Segundo especialistas, esse trabalho levaria ao menos 10 anos para estabilizar o solo na região.
- Desde então, mais de 14 mil imóveis precisaram ser desocupados, afetando cerca de 60 mil pessoas e transformando áreas antes habitadas em bairros fantasmas.
- Um Programa de Compensação Financeira foi criado ainda no final de 2019 pela Braskem para indenizar os proprietários dos imóveis que tiveram que ser desocupados. Os moradores da região que discordavam dos valores oferecidos movem ação na Justiça contra a mineradora.
- Meses depois, moradores do Mutange e do Bebedouro, bairros vizinhos, também relataram o surgimento de diversas rachaduras. Em algumas casas, o piso cedeu e as paredes apresentam grandes fissuras.
- Em maio de 2019, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), órgão ligado ao governo federal, confirmou que a extração de sal-gema feita pela Braskem provocou a instabilidade no solo.
- Só então foram emitidas as primeiras ordens de evacuação para moradores do Pinheiro, Mutange e Bebedouro. Com o problema se agravando, a ordem também foi ampliada para parte do Bom Parto e do Farol.
- Foi somente em novembro de 2019 que a Braskem anunciou a decisão de fechar definitivamente poços de extração de sal-gema em Maceió.
- A partir dessa decisão, um trabalho foi iniciado pela Braskem para fechamento e estabilização de 35 minas com profundidade média de 886 metros na região do Mutange e de Bebedouro. Segundo especialistas, esse trabalho levaria ao menos 10 anos para estabilizar o solo na região.
- Desde então, mais de 14 mil imóveis precisaram ser desocupados, afetando cerca de 60 mil pessoas e transformando áreas antes habitadas em bairros fantasmas.
- Um Programa de Compensação Financeira foi criado ainda no final de 2019 pela Braskem para indenizar os proprietários dos imóveis que tiveram que ser desocupados. Os moradores da região que discordavam dos valores oferecidos movem ação na Justiça contra a mineradora.
- A Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE-AL) divulgou, em 2025, que os danos causados pela mineração vão além do afundamento da área diretamente afetada, reconhecida nos Mapas de Linhas de Ações Prioritárias.
- O estudo apontou indícios de afundamento de solo nos Flexal de Cima, Flexal de Baixo e na Rua Marquês de Abrantes, localizados no bairro do Bebedouro, e do bairro do Bom Parto. Apesar de estarem fora das áreas oficiais de risco, os locais sofrem com o “ilhamento socioeconômico” e ainda são habitados por pessoas.
- Na ocasião, o órgão pediu a desocupação das regiões. A Defesa Civil de Maceió explicou que as regiões são monitoradas e que, até o momento, não via indícios para ampliação das áreas de risco ou para novas realocações.
- Moradores dos bairros do Farol e Pinheiro denunciaram, em junho de 2025, que novas rachaduras surgiram nos imóveis. A Defensoria Pública estadual fez uma vistoria nos prédios indicados.
- Em novembro do mesmo ano, a Braskem e o governo de Alagoas anunciaram um acordo de R$ 1,2 bilhão. A previsão é que o montante seja pago em 10 anos. Na ocasião, a empresa informou ter pago R$ 139 milhões do acertado.
- Em 2026, a Justiça Federal em Alagoas recebeu a denúncia apresentada pelo MPF contra a Braskem, ex-dirigentes e técnicos ligados à atividade de mineração que provocou o afundamento do solo em Maceió. Na prática, a decisão torna a empresa e os executivos réus na ação penal que apura a responsabilidade pelo desastre socioambiental.
- Entre os crimes apontados pelo MPF estão poluição ambiental qualificada; elaboração e apresentação de estudos ambientais considerados falsos ou enganosos; extração irregular de recursos minerais; dano qualificado ao patrimônio.

