Maioria dos brasileiros desaprova veto de Moraes a visitas de Flávio a Bolsonaro, aponta Datafolha
Uma recente pesquisa Datafolha trouxe à tona a percepção da população brasileira sobre uma decisão judicial de grande repercussão. O levantamento aponta que 59% dos eleitores consideram que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), “agiu mal” ao proibir que o senador Flávio Bolsonaro (PL) visitasse seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que atualmente cumpre prisão domiciliar.
A medida, que gerou amplo debate no cenário político e jurídico do país, reflete a complexidade das restrições impostas ao ex-presidente e a forma como a opinião pública as avalia. Enquanto a maioria desaprova a ação do ministro, uma parcela significativa da população apoia a decisão.
Repercussão da decisão de Moraes na opinião pública
Os dados do Datafolha detalham a divisão de opiniões em relação à determinação de Alexandre de Moraes. Além dos 59% que veem a decisão como inadequada, 36% dos entrevistados avaliam que o magistrado “agiu bem” ao impor a proibição. Uma pequena parcela, 2%, entende que Moraes “não agiu bem nem mal”, e 4% não souberam ou não quiseram responder à questão.
Essa polarização de percepções sublinha a sensibilidade do tema e o impacto das decisões judiciais envolvendo figuras políticas de alto escalão na sociedade. A pesquisa também abordou outras questões relacionadas ao ex-presidente, oferecendo um panorama mais completo do sentimento popular.
Contexto da proibição de visitas e restrições
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, proferida em julho, suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio Bolsonaro ao pai. O veto ocorreu após o senador tornar pública uma carta redigida pelo ex-presidente, na qual Jair Bolsonaro o empoderava como seu porta-voz na disputa eleitoral. Moraes ressaltou, em sua decisão, que uma das medidas cautelares impostas a Jair Bolsonaro era a proibição de utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros, o que a carta poderia configurar. Para mais detalhes sobre a suspensão, confira a notícia original: Moraes suspende visita de Flávio a Bolsonaro por 90 dias.
Além da suspensão das visitas de Flávio, o magistrado impôs outras restrições significativas. Por 30 dias, Jair Bolsonaro ficou impedido de receber qualquer tipo de visita, com exceção de médicos, fisioterapeutas e advogados. Visitas com finalidade político-eleitoral e a divulgação de manifestos políticos-eleitorais, mesmo por terceiros e independentemente do meio, foram vetadas até o fim das eleições de outubro.
Ainda sobre as restrições, o levantamento do Datafolha mostra que 62% dos entrevistados defendem a proibição do acesso de Bolsonaro a redes sociais durante seu regime domiciliar. Em contrapartida, 35% dos eleitores acreditam que o ex-presidente deveria ter o direito de usar as plataformas, enquanto 3% não souberam responder. Moraes vetou o uso de redes sociais por Bolsonaro em julho de 2025, em um processo que investigava tentativa de obstrução da Justiça, coação e atentado à soberania nacional.
Regime de prisão domiciliar de Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro foi condenado de forma unânime pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por planejar um golpe de Estado após as eleições de 2022. Desde março deste ano, o ex-presidente cumpre prisão domiciliar humanitária, uma medida autorizada em razão de seu estado de saúde. Em julho, o ministro Alexandre de Moraes prorrogou esse regime, mas impôs as novas e mais rigorosas restrições que agora são objeto da avaliação pública.
A pesquisa Datafolha também questionou os brasileiros sobre o tipo de regime prisional para o ex-presidente. Os resultados indicam que 59% dos cidadãos defendem que Jair Bolsonaro permaneça em regime domiciliar, enquanto 35% acreditam que ele deveria cumprir a pena na prisão. Outros 6% não souberam responder, evidenciando que a questão do regime de cumprimento de pena também divide a opinião nacional.
Metodologia da pesquisa Datafolha
O levantamento do Datafolha foi realizado de forma presencial entre os dias 22 e 23 de julho, ouvindo um total de 2.004 entrevistados. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. A pesquisa está devidamente registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-01166/2026, garantindo a transparência e a validade dos dados apresentados.
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