MPCE lança exposição que une cordel e xilogravura no combate à violência de gênero
O Ministério Público do Ceará (MPCE) inaugurou, na terça-feira, 18 de agosto, a exposição “Entre Traços e Versos: Xilogravura e Cordel no Enfrentamento da Violência de Gênero”. A iniciativa, que ocorreu na sede da Procuradoria Geral de Justiça, em Fortaleza, representa um marco na utilização da arte popular como ferramenta de conscientização e reflexão sobre uma das questões sociais mais urgentes da atualidade.
A abertura do evento foi marcada por uma significativa roda de conversa, que reuniu importantes figuras do cenário jurídico e cultural. A mediação ficou a cargo da procuradora de Justiça e coordenadora-executiva do Memorial do MPCE, Sheila Pitombeira, e contou com a participação de nomes como a subprocuradora-geral de Justiça de Governança, Grecianny Cordeiro, e a coordenadora do Núcleo Estadual de Gênero Pro-mulher (Nuprom), promotora de Justiça Valeska Catunda. Também estiveram presentes a diretora da Biblioteca Estadual do Ceará (Bece), Suzete Nunes, e o pró-reitor adjunto de Extensão da Universidade Regional do Cariri (Urca), Luiz Siqueira, reforçando o caráter multidisciplinar da discussão.
MPCE Lança Iniciativa Cultural Contra a Violência de Gênero
A exposição “Entre Traços e Versos” tem como principal objetivo provocar uma profunda reflexão sobre a representação da mulher na rica tradição da literatura de cordel e na expressiva arte da xilogravura. Mais do que uma simples mostra artística, a iniciativa busca evidenciar como essas manifestações culturais genuinamente brasileiras podem atuar como poderosos instrumentos no enfrentamento da violência de gênero, estimulando o debate e a mudança de comportamento na sociedade.
O acervo da mostra é diversificado e cuidadosamente selecionado. Ele reúne obras de renomados cordelistas e xilogravuristas, muitos deles com forte ligação à trajetória da Lira Nordestina, a mais antiga tipografia de cordel em funcionamento no Brasil, vinculada à Urca. Além disso, a exposição conta com cordéis do vasto acervo da Bece e documentos que registram a atuação histórica do Ministério Público no combate à violência contra a mulher, contextualizando a luta institucional ao lado da expressão artística.
A Arte Popular como Espelho e Ferramenta de Conscientização
A curadoria da exposição, promovida pelo Departamento de Memória da Secretaria de Comunicação do MPCE em parceria com a Lira Nordestina, destaca a capacidade da arte popular de abordar temas complexos de forma acessível e impactante. A procuradora de Justiça Sheila Pitombeira ressaltou a dualidade da mostra, que une a valorização da cultura nordestina à urgente reflexão sobre a violência doméstica. “A importância dessa exposição é destacar um contexto cultural nosso, do Nordeste, que é o cordel e a xilogravura, e trazer, junto com essa questão, o aspecto da violência doméstica”, explicou Pitombeira, que também fez um paralelo com os 20 anos da Lei Maria da Penha, sublinhando a relevância contínua do tema.
A subprocuradora-geral de Justiça de Governança, Grecianny Cordeiro, complementou, afirmando que os trabalhos expostos “destacam temas como o protagonismo feminino, a violência contra a mulher e a participação de mulheres escritoras de cordel”. Ela também expressou emoção com a presença de estudantes da Escola Murilo Borges, do bairro Vicente Pinzón, na abertura, evidenciando o potencial educativo e transformador da exposição para as novas gerações.
Vozes e Perspectivas no Debate sobre Gênero
O pró-reitor adjunto de Extensão da Urca, Luiz Siqueira, enfatizou que a exposição transcende a mera apreciação artística, sendo também um testemunho de movimentos sociais, lutas e conquistas. “A proposta foi utilizar a arte para abordar e denunciar o problema da violência contra a mulher”, afirmou Siqueira. Entre as obras expostas, há releituras criativas de ícones como a Mona Lisa, ressignificadas pelos estudantes para dialogar com a temática da violência de gênero, mostrando a capacidade da juventude de engajar-se criticamente com o assunto.
Após a roda de conversa, os presentes tiveram a oportunidade de participar de uma visita mediada à exposição. A condução foi realizada pela equipe do Departamento de Memória Institucional do MPCE e pela artista Maria Lourdes de Oliveira, ligada à Lira Nordestina, que proporcionaram um olhar aprofundado sobre cada obra e seu contexto. A interação direta com os criadores e especialistas enriqueceu a experiência dos visitantes, permitindo uma compreensão mais completa da mensagem transmitida pela arte.
Convidando à Reflexão: Detalhes para a Visitação Pública
Entre os visitantes que se mostraram impactados pela exposição estava Ana Clara Silva, uma estudante de 17 anos do 3º ano. Para ela, a abordagem do enfrentamento à violência contra as mulheres por meio da literatura de cordel é fundamental para ampliar a discussão. “Estou muito interessada nesse tema”, declarou a jovem, demonstrando como a arte pode ser um catalisador para o interesse e o engajamento de um público diversificado, especialmente o jovem.
A exposição “Entre Traços e Versos: Xilogravura e Cordel no Enfrentamento da Violência de Gênero” está aberta ao público, oferecendo uma oportunidade única de mergulhar na cultura nordestina e refletir sobre um tema de extrema relevância social. Não perca a chance de prestigiar essa importante iniciativa.
- Local: Espaço Cultural da Procuradoria Geral de Justiça
- Endereço: Avenida General Afonso Albuquerque Lima, 130, Cambeba, Fortaleza
- Visitação: Segunda a sexta-feira, das 8h30 às 16h30
Para mais informações sobre as ações do Ministério Público do Ceará, visite o site oficial do MPCE.
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