Mulher que receberia R$ 20 mil para levar cocaína do Ceará à Europa é condenada pela Justiça Federal

Uma mulher que tentou traficar mais de 5 quilos de cocaína de Fortaleza para a Europa em 2024 foi condenada pela Justiça Federal do Ceará a 5 anos de prisão em regime semiaberto. A ré foi presa em flagrante pela Polícia Federal (PF) no Aeroporto Internacional da Capital e confessou o crime.

A captura por tráfico internacional de drogas ocorreu em 27 de maio de 2024, no embarque para Lisboa, em Portugal, quando a mala de Bruna Rafaela Campos Marazo passou pelo raio-x e os agentes aeroportuários detectaram pacotes retangulares suspeitos.

Ocultados em fundo falso, os pacotes totalizaram 5,1 kg de cocaína.

Em depoimento, Bruna disse ter sido aliciada para transportar a droga, em meio a dificuldades financeiras. Ela receberia R$ 20 mil pelo transporte e, antes, contou com “ajudas de custo” para as passagens aéreas e hospedagens, inclusive alugando um apartamento em Fortaleza. A sentença foi dada pela 11ª Vara em 28 de maio deste ano. O magistrado julgou procedente a denúncia do Ministério Público Federal e fixou a pena em regime inicial semiaberto. A Justiça Federal reconheceu a atenuante da confissão espontânea da ré e o redutor do tráfico privilegiado, já que a Bruna não possuía antecedentes criminais concretos que a vinculassem de forma permanente à estrutura da facção.

Além da promessa do dinheiro, Bruna recebeu 700 euros em espécie e um novo celular para comunicação. Todos esses itens foram entregues à União.

O Diário do Nordeste não conseguiu localizar a defesa da condenada. O espaço segue aberto.

Amiga ofereceu trabalho de ‘mula do tráfico’

A condenada relatou em interrogatório que se envolveu no tráfico após uma amiga oferecer-lhe o “serviço” de transporte de droga, para se tornar, como popularmente é dito e também afirmado por autoridades, uma “mula do tráfico”. Ela disse que aceitou, pois estava desempregada, e foi apresentada às pessoas que tocaram o esquema, em meados de abril de 2024.
“O fato de a ré estar passando por dificuldades financeiras não pode servir de justificativa para a prática de atos ilícitos”, alertou o magistrado que a condenou.

A mulher relatou que saiu do interior de Minas Gerais, da cidade de Varginha, e foi até São Paulo, onde recebeu uma mala com droga já escondida. Ela saiu de ônibus do estado paulista e foi até Fortaleza, onde chegou dia 25 de maio e se hospedou até o dia 27 do mesmo mês, mesma data na qual foi presa em flagrante.

Segundo o processo, a conexão de Bruna com a organização criminosa foi aprofundada após dois celulares em posse dela serem apreendidos.

A análise de dados indicou que Bruna prestou serviços logísticos e de transporte para uma organização criminosa de caráter transnacional. De acordo com os relatórios policiais, ela era contactada por membros do grupo criminoso que exerciam controle e nível de comando hierárquico.

A quebra do sigilo das mensagens revelou que um dos contatos mandou Bruna apagar as mensagens no WhatsApp e baixar um aplicativo de comunicação chamado Signal, que é conhecido por ter criptografia mais pesada.

A rota saindo de Fortaleza

Durante um de seus depoimentos, a condenada disse que uma das pessoas que mandava instruções ordenou que ela comprasse uma passagem para Lisboa saindo de Fortaleza, pois “acredita que a fiscalização em São Paulo seria bem mais rigorosa”.

A rota não chegou a ser concretizada, pois agentes desconfiaram do conteúdo da mala de Bruna, mas o Aeroporto de Fortaleza tem sido usado por diversas “mulas” e organizações criminosas para o envio de drogas ao exterior.

O Diário do Nordeste noticiou nesta semana que, somente nos últimos oito anos, desde 2019, quase duas toneladas de cocaína, foram apreendidas tanto no Terminal de Passageiros quanto no Terminal de Cargas do equipamento cearense, segundo dados da Polícia Federal (PF) repassados ao Diário do Nordeste.

 

 

Fonte: Diário do Nordeste