Música e temas ambientais exaltam diversidade do Brasil na abertura dos Jogos

Ao som de “Aquele Abraço”, clássico de Gilberto Gil, a cerimônia de Abertura dos Jogos do Rio começou nesta sexta-feira, no Maracanã, dando início oficialmente a 31ª edição das Olimpíadas da era moderna, as primeiras da América do sul, com um espetáculo que exalta natureza e a diversidade do Brasil.

A apresentação ocorre diante de um público de mais de 70 mil pessoas que lotou o templo do futebol e cerca de três bilhões de telespectadores que devem acompanhar o show pela TV em todo o mundo.

As competições já começaram na quarta-feira, com o futebol feminino, mas as primeiras disputas de medalha terão início apenas a partir de sábado, até o dia 21 de agosto, data da cerimônia de encerramento.

O espetáculo começou com interpretação emocionante do hino nacional brasileiro por Paulinho da Viola.

Durante o hino, estavam presentes no lado oposto do gramado 60 atletas que entraram carregando bandeiras do Brasil, entre eles vários medalhistas olímpicos, como ex-velocista Robson Caetano, as lendas do vôlei Tande e Giovane ou saltadora em distância Maurren Maggi, primeira mulher a ganhar uma medalha de ouro em uma prova individual, em Pequim-2008.

Os criadores avisaram que a intenção era “trocar o High Tech, a dependência por grandes efeitos pirotécnicos e mecatrônicos pela inventividade analógica, abusando do espirito “low Tech”.

Até o público participou da ‘coreografia’, usando justamente as novas tecnologias, ao ligar os celulares para enfeitar as arquibancadas.

No gramado, a ideia era apostar em projeções. A primeira foi de tirar fôlego. Com efeito 3D, mostrou a imensidão verde da selva amazônica.

Como aconteceu há quatro anos, em Londres-2012, seguiram-se uma série de quadros que apresentaram a história do país, começando com os indígenas, representados por 72 dançarinos vindos de Parintins, no Amazonas.

Outra projeção 3D mostrou as caravelas, marcando a chegada dos europeus e dos africanos, sem deixar de lembrar as cicatrizes ainda vivas do passado de escravidão. O espetáculo colorido também veio como um apelo para preservar o planeta. A era moderna foi representada pela construção de arranha-céus, ao som de “Construção”, de Chico Buarque.

O palco estava montado para um dos momentos mais aguardados da noite, o desfile da supermodelo Gisele Bundchen, enquanto o público batia palmas no ritmo da “Garota de Ipanema” de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, cuja imagem era projeta ao fundo.
Foi apenas um aperitivo para a grande festa, exaltando a diversidade do Brasil.

Uma mistura de ritmos, a começar por um dos primeiros grande sucessos do funk carioca, o “Rap da Felicidade”, interpretado por Ludmila.

O primeiro grande momento de emoção foi ver a diva Elza Soares, ainda no ritmo do funk, emendando com “Canto de Ossanha”, clássico da Bossa de Vinícius de Moraes.

Sozinha no palco, sentada em uma poltrona, sua voz rouca deixou todo o público arrepiado, como há mais de 40 anos os dribles do grande amor da sua vida, o eterno craque Garrincha, que brilhou tantas vezes no Maracanã.

A mistura de ritmos continuou com “Deixa a vida me levar”, cantada em dueto por Zeca Pagodinho e o rapper Marcelo D2.

O rap em si, muitas vezes criticado por ter letras consideradas machistas, entrou na contramão dos clichês, com o empoderamento feminino representado por Karol Conca, e a menina MC Soffia, de apenas 12 anos.

No final das apresentações musicais, só restou pular e dançar ao som de “País Tropical”, do Mestre Jorge Ben Jor.

Nada melhor que uma grande festa para dar início ao desfile das 207 delegações, começando pela Grécia, berço do Olimpismo.

O esperado desfile também teve conotação ambiental. Cada atleta recebeu uma semente e um tubete com substrato para semear uma árvore nativa do Brasil, para colocá-lo em torres espalhadas pelo palco.

Com Informações AFP

Jonas Deison

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