Elon Musk acusa Openai de trair missão original em batalha judicial acalorada

O bilionário Elon Musk está no centro de uma intensa disputa legal contra a OpenAI, a criadora do ChatGPT, em um tribunal em Oakland, na Califórnia. Ele acusa a empresa, seu CEO Sam Altman e o presidente Greg Brockman de terem o enganado e de terem traído a missão original sem fins lucrativos da organização. O caso, que já se estende por dias de depoimento, revela as tensões crescentes entre Musk e a entidade que ele ajudou a fundar, marcando um capítulo crucial na corrida global pela inteligência artificial.

A controvérsia gira em torno de uma mudança fundamental na estrutura corporativa da OpenAI. Musk alega que a empresa abandonou seu propósito inicial de beneficiar a humanidade com código aberto, transformando-se em uma entidade com fins lucrativos. A OpenAI, por sua vez, defende-se, argumentando que o processo de Musk visa prejudicar sua posição no mercado e favorecer sua própria empresa de IA, a xAI.

Musk OpenAI: O cerne da acusação de traição

Durante o segundo dia de depoimento, na quarta-feira (29), Elon Musk confrontou o advogado da OpenAI em um interrogatório tenso. Os advogados de ambos os lados focaram no relacionamento deteriorado entre o bilionário e a organização que ele ajudou a impulsionar no cenário da inteligência artificial. A defesa de Musk apresentou mensagens anteriores entre ele e os líderes da OpenAI, incluindo Sam Altman, buscando sustentar as alegações de que a empresa o enganou sobre seus objetivos.

O advogado da OpenAI, William Savitt, questionou Musk sobre suas contribuições para a empresa e se a ideia de a OpenAI buscar lucro partiu dele. As trocas de palavras foram pontuadas por momentos de alta tensão, com Savitt chegando a pedir que Musk se limitasse a respostas de “sim” ou “não”. A juíza do Tribunal Distrital dos EUA, Yvonne Gonzalez Rogers, precisou intervir em uma dessas interações, após Musk afirmar que as perguntas eram “elaboradas para me enganar”.

De investidor a crítico: A evolução da relação com a OpenAI

Grande parte do interrogatório inicial concentrou-se em e-mails internos antigos entre Musk e executivos da OpenAI, incluindo Altman e Brockman, que estavam presentes no tribunal. As comunicações abordavam possíveis planos de incluir uma estrutura com fins lucrativos. Musk afirmou que não teria problemas com uma empresa com fins lucrativos “desde que fosse uma subsidiária da organização sem fins lucrativos”. No entanto, ele enfatizou que “o que não podemos permitir é que a empresa com fins lucrativos se torne o foco principal, e é isso que temos aqui”.

Musk foi questionado sobre a instrução dada a Jared Birchall, chefe de seu escritório familiar, para registrar uma empresa de benefício público com fins lucrativos em 2017 em nome da OpenAI, alegando que o fez “caso fosse necessário”. Em e-mails apresentados como prova, Musk também informou que precisava ter o controle da empresa proposta, justificando que “precisava garantir que tudo fosse feito na direção certa e eu estava fornecendo quase todo o dinheiro”.

Quando os outros cofundadores expressaram preocupação com essa estrutura, Musk declarou ao tribunal que acreditava que eles haviam “descumprido o que haviam concordado anteriormente” e que “o que eles realmente queriam era criar uma empresa com fins lucrativos onde tivessem a maior participação acionária possível”. Em outro e-mail, ele comunicou aos cofundadores que “não financiaria mais a OpenAI até que eles se comprometessem firmemente a permanecer uma organização sem fins lucrativos”. Em um momento marcante do depoimento, Musk declarou: “Eu fui um tolo. Eu dei financiamento gratuito a eles para criar uma startup”.

O cenário maior: O futuro da IA e as implicações do julgamento

O envolvimento da Microsoft no crescimento da OpenAI também é um ponto central na queixa de Musk. Em 2022, a OpenAI anunciou um investimento de US$ 10 bilhões da Microsoft, avaliando a empresa, agora com uma subsidiária com fins lucrativos, em US$ 20 bilhões. Foi então, segundo Musk, que ele “perdeu a confiança em Altman”. Ele enviou a Altman um link para um artigo sobre a avaliação da OpenAI, expressando que se sentiu enganado. Altman respondeu: “Concordo que isso é ruim. Oferecemos participação acionária quando estabelecemos o limite de lucro, o que você não quis na época. Ainda estamos muito dispostos a fazer isso quando você quiser”.

O julgamento ocorre em um momento crucial, com a OpenAI planejando o que pode ser um forte IPO – uma injeção de capital que poderia consolidar sua liderança inicial na corrida global de IA. Musk argumenta que teve um papel fundamental na criação da OpenAI, concebida para beneficiar toda a humanidade com código aberto, em oposição a empresas que visam apenas o lucro dos acionistas. Suas preocupações de longa data com o potencial da IA para prejudicar humanos foram a base para a fundação da empresa.

O júri de nove pessoas, selecionado na segunda-feira (27), aconselhará a juíza Yvonne Gonzalez Rogers, que decidirá sobre as medidas solicitadas por Musk. Entre elas, estão a reversão da OpenAI à estrutura sem fins lucrativos, a exoneração de Altman e Brockman do Conselho, e US$ 130 bilhões em indenizações a serem destinados à fundação sem fins lucrativos da OpenAI. Antes do início dos depoimentos, a juíza repreendeu ambos os lados por postagens nas redes sociais sobre o caso, pedindo que controlassem a “propensão a usar as redes sociais, para piorar as coisas fora deste tribunal”.

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