“O principal sinal de alerta é o isolamento”: psicóloga aponta riscos do uso da internet entre crianças e adolescentes
Uso da internet por crianças e adolescentes preocupa pais, educadores e autoridades diante do avanço de desafios virtuais e conteúdos inadequados. O debate ganhou força depois que o filho de uma influenciadora sofreu uma lesão na córnea durante uma brincadeira com bexiga na escola, em Fortaleza. O caso ocorreu nos últimos dias e reacendeu a discussão sobre os limites entre diversão e risco.
A exposição cada vez mais precoce às redes amplia o acesso à informação, mas também aumenta a vulnerabilidade. Desafios perigosos, conteúdos violentos e práticas que viralizam sem filtro estão entre as principais preocupações.
O menino chegou a correr risco de perder a visão. Nas redes sociais, a mãe relatou que o filho apresenta dificuldade para enxergar e aguarda reavaliação médica.
“É muito grave. O Lucas não tá enxergando direito, ele tá vendo um pouco mais escuro e ele tá vendo embaçado”, diz a influenciadora Fabiana Brasil. Segundo ela, o médico deve reavaliar o quadro em sete dias para definir a evolução da lesão. “Que isso sirva de alerta, porque do jeito que aconteceu com o meu filho, pode acontecer com o teu”, afirma Fabiana Brasil.
Sinais de alerta no uso da internet por crianças e adolescentes
Casos como esse levantam uma discussão necessária: até que ponto uma brincadeira pode terminar em violência? Especialistas alertam que mudanças de comportamento podem indicar exposição a situações de risco. O isolamento repentino está entre os principais sinais.
“O principal sinal de alerta é o isolamento”, afirma a psicóloga Juliane Sousa. Ela explica que mesmo alunos naturalmente reservados podem demonstrar um afastamento mais intenso quando algo não vai bem. “Essa criança começa a ficar mais isolada”, completa Juliane Sousa.
Para os próprios estudantes, o diálogo em casa e o acompanhamento da escola fazem diferença. José Pedro, de 14 anos, afirma que evita conteúdos que possam prejudicar sua saúde e destaca a importância da supervisão. “Quando eu vejo que essa brincadeira traz prejuízos à minha saúde, eu já evito”, diz o estudante. Ele acrescenta que o apoio da família e da escola ajuda a não cair em armadilhas, afirma José Pedro.
Rafaeja Teófilo, de 13 anos, também diz que não participa desse tipo de prática. Ela relata que os pais monitoram e que a escola acompanha de perto o comportamento dos alunos. “Na escola, principalmente, tem isso dos amigos irem na onda dos outros e acaba fazendo sem nem querer”, afirma a estudante. Segundo ela, muitas vezes vários jovens acabam prejudicados ao mesmo tempo, completa Rafaeja Teófilo.
Diante dos episódios recentes, especialistas e educadores reforçam que o uso da internet por crianças e adolescentes exige acompanhamento constante, diálogo aberto e atuação conjunta entre família e escola para prevenir novos casos.
Desafios virtuais e riscos nas escolas
Nas escolas, a orientação é reforçar o diálogo e intensificar o acompanhamento, principalmente entre alunos de 10 e 11 anos, faixa considerada mais vulnerável.
A coordenação pedagógica aposta na presença constante de profissionais durante os intervalos e em rodas de conversa dentro das salas. A meta é identificar qualquer comportamento de risco antes que ele se agrave.
“Nós temos auxiliares de coordenação espalhados pela escola durante os momentos de intervalo para observar o que os alunos estão brincando”, explica a coordenadora pedagógica Rachel Araújo. Ao primeiro sinal de prática inadequada, a intervenção é imediata. “Qualquer brincadeira que leve para algum tipo de risco, por menor que seja, a escola já precisa intervir”, afirma Rachel Araújo.
Dados do Instituto Jimmy Cuida apontam que desafios virtuais provocaram 56 mortes nos últimos dez anos. Em episódios recentes, duas meninas morreram após inalar desodorante aerossol, em situações associadas a conteúdos disseminados na internet.
Fonte: GC+

