Pague Menos minimiza impacto de nova lei e rechaça farmácias em supermercados

A gigante do varejo farmacêutico, Pague Menos, avalia que a recente legislação que autoriza a instalação de farmácias dentro de supermercados não deverá provocar uma reviravolta significativa na dinâmica do setor. A rede, inclusive, já recusou propostas para adquirir operações farmacêuticas em grandes redes supermercadistas, justificando a decisão pela baixa atratividade econômica do modelo, conforme informações divulgadas pela Bloomberg Línea.

Essa postura da Pague Menos lança luz sobre os desafios e as percepções do mercado em relação à Lei 15.357, sancionada em março deste ano. Embora a nova regra abra portas para uma maior integração entre os setores, as exigências impostas pela legislação parecem criar barreiras consideráveis para a sua implementação em larga escala, mantendo o cenário favorável para as grandes redes já estabelecidas.

Exigências da nova lei criam complexidade operacional

A Lei 15.357, que entrou em vigor em março, trouxe uma novidade para o varejo brasileiro ao permitir que farmácias operem dentro de supermercados. Contudo, a legislação não veio sem condições. Para que a instalação seja possível, são impostas exigências rigorosas, como a necessidade de um espaço físico completamente separado, a operação de um caixa exclusivo para a farmácia e a presença permanente de um farmacêutico responsável.

Na prática, o modelo aprovado pelo Congresso Nacional exige a criação de uma drogaria completa dentro do ambiente do supermercado. Essa estrutura adicional implica em um aumento considerável nos custos de investimento e na complexidade operacional para os supermercadistas que desejam aderir à nova regra. Tais requisitos vão além do que muitos varejistas esperavam, impactando diretamente a viabilidade do negócio.

Pague Menos rejeita propostas por inviabilidade econômica

A Pague Menos, uma das maiores redes de farmácias do país, já se manifestou claramente sobre o tema. O CFO da empresa, Luiz Novais, revelou que a companhia recebeu diversas propostas para adquirir operações farmacêuticas de grandes redes supermercadistas. No entanto, todas foram prontamente rejeitadas pela Pague Menos.

Segundo Novais, o faturamento médio dessas unidades não se mostra suficiente para compensar os investimentos substanciais que seriam necessários para adequar as operações às exigências legais. Além do custo financeiro, a empresa avalia que o modelo proposto pela lei pode criar obstáculos na experiência de compra do consumidor, que precisaria acessar uma estrutura separada para adquirir seus medicamentos, o que poderia comprometer a conveniência.

Mercado farmacêutico: crescimento e novas tendências

Apesar das discussões em torno da nova legislação, o varejo farmacêutico brasileiro demonstra um vigoroso crescimento. Em 2025, o setor movimentou impressionantes R$ 241,6 bilhões, registrando um crescimento de 11,3% em relação ao ano anterior, conforme dados da IQVIA. As projeções indicam uma expansão média anual de 8,5% até 2027, impulsionada por fatores como a crescente demanda por canetas para emagrecimento da classe GLP-1 e o avanço das vendas digitais.

Essa perspectiva otimista para o setor reforça a posição das grandes redes, que já possuem infraestrutura e expertise para capitalizar essas tendências. A Pague Menos, assim como a RD Saúde, está bem posicionada para aproveitar o crescimento dos medicamentos GLP-1, que representam uma fatia cada vez mais relevante do mercado.

Estratégias futuras e o caminho para os supermercados

Para especialistas da Peers Consulting, a alternativa mais estratégica e viável para os supermercados interessados em entrar no segmento farmacêutico não seria a criação de drogarias próprias. Em vez disso, a recomendação é firmar convênios e parcerias com redes farmacêuticas já licenciadas e estabelecidas no mercado.

Esse modelo de colaboração minimiza os riscos regulatórios e evita que os supermercados precisem realizar investimentos elevados em estrutura física, sistemas de climatização, segurança e na contratação de farmacêuticos. Dessa forma, eles podem oferecer o serviço sem arcar com a complexidade e os custos operacionais que a nova lei impõe para a criação de uma farmácia do zero.

Mesmo com a nova legislação em vigor, analistas de mercado, como os do JPMorgan, continuam a enxergar um cenário favorável para as grandes redes farmacêuticas. O crescimento de dois dígitos nas vendas do setor e o potencial adicional ligado à expansão dos medicamentos GLP-1 solidificam a vantagem competitiva de empresas como a Pague Menos, que, ao que tudo indica, não veem na entrada dos supermercados uma ameaça significativa ao seu modelo de negócio. A lei, ao invés de desestabilizar, parece ter reforçado as barreiras de entrada, preservando o domínio dos players já consolidados.

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