Paquistão vai cortar salário e sinal de celular de quem recusar vacina da Covid-19

Paquistão decidiu tomar uma série de medidas drásticas contra cidadãos que se recusam a receber a vacina contra a Covid-19. Entre as ações, as autoridades preveem o bloqueio do serviço de telefonia móvel e a suspensão de salários dos funcionários do governo não imunizados. Não há informações sobre quando as normas entrarão em vigor ou como serão executadas.

O intuito dos governos paquistaneses é combater o ceticismo tanto sobre as vacinas contra o novo coronavírus, quanto sobre a campanha de imunização de forma ampla. As informações são do jornal O Globo.

As autoridades locais das províncias de Punjab e Sindh anunciaram planos para bloquear o serviço de telefonia celular dos residentes que recusarem se imunizar contra a Covid-19.

Enquanto isso, o governo de Sindh instruiu o ministério das finanças que, a partir de julho, deve parar de pagar os funcionários públicos que não foram vacinados.

Desde que as medidas foram anunciadas, relatos de certificados de vacinação falsos dispararam no Paquistão. Nesta semana, a polícia da cidade portuária de Karachi prendeu uma pessoa envolvida na venda de tipo de documento falsificado. Cada um custa cerca de US$ 12, mais de R$ 60.

 

DESCONFIANÇA CONTRA VACINAS 

O país tenta combater a desinformação sobre vacinas há muito tempo, especialmente em relação ao imunizante contra a poliomielite — também chamada de paralisia infantil. Conforme o periódico, os pais geralmente recusam a imunização dos filhos contra a doença, acreditando falsamente que o fármaco é prejudicial e faz parte de uma trama norte-americana para esterilizar as crianças.

A desconfiança contra imunizantes só aumentou com a chegada das vacinas anti-Covid. Os paquistaneses acreditam em teorias da conspiração sobre os efeitos colaterais dos imunobiológicos que combatem o coronavírus.

“Ouvi dizer que as pessoas, depois de receberem a vacina do coronavírus, morrerão em dois anos. […] É a razão pela qual em nossa grande família de pelo menos 25 pessoas, ninguém está disposto a se vacinar”, disse o motorista de caminhão em Karachi, Ehsan Ahmed, ao The New York Times.

 

CAMPANHA DE IMUNIZAÇÃO 

A meta do Paquistão é vacinar entre 45 milhões e 65 milhões de pessoas até o fim deste ano e, recentemente, anunciou planos para gastar US$ 1,1 bilhão na aquisição de doses dos imunizantes, o equivalente a mais de R$ 5 bilhões.

Desde o início da campanha de vacinação, em 3 de fevereiro, até terça-feira (15), o país vacinou somente 3 milhões de pessoas, cerca de 2% da sua população, segundo informações do governo paquistanês.

“O governo está fazendo o possível para facilitar as pessoas na obtenção da vacina”, disse o ministro da Informação em Sindh, Syed Nasir Hussain Shah, ao The New York Times. O gestor ainda classificou a decisão de não fazer uma tentativa de “inaceitável”.

Ao todo, 22 mil cidadãos já foram vítimas da Covid-19 no país e quase um milhão de casos da doença foram confirmados desde o início da pandemia do novo coronavírus.

Fonte: Diário do Nordeste

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