Pastoral dos Surdos se prepara para celebrar 10 anos na Diocese de Sobral

Centro de Formação e Apoio ao Surdo Dom Fernando Saburido (CEFAS) acompanha entre 80 e 100 pessoas surdas

Em preparação para o jubileu de 10 anos de atuação na Diocese de Sobral no mês de setembro, a Pastoral dos Surdos realizou na sexta-feira, 20, o primeiro encontro de 2018 do Centro de Formação e Apoio ao Surdo Dom Fernando Saburido (CEFAS). O tema geral foi “O ano do laicato: a espiritualidade do surdo”. Participaram 35 surdos e 10 ouvintes, dentre os quais alguns intérpretes, de Sobral, Meruoca, Groaíras, Irauçuba, Massapê e Varjota. O palestrante e ministro da eucaristia Teobaldo Muniz Teixeira, que também é surdo, conduziu uma palestra em libras na qual falou acerca da importância dos sacramentos, como a comunhão, e explicou a santa missa, além de trazer o verdadeiro sentido da Páscoa, a Ressurreição de Jesus.

“Buscamos motivar as ações da Pastoral e auxiliar os surdos na participação nas missas, no catecismo”, além de promover ações pedagógicas, encaminhar os surdos para o mercado de trabalho, conta a articuladora da Pastoral dos Surdos, Maria Alice Amâncio Melo. De acordo com ela, haverá outros dois encontros da Pastoral antes do evento do jubileu de setembro. Maria Aline ressalta ainda que a Pastoral precisa da colaboração de todos e que é complexo conseguir pessoas que desejem se engajar nas ações de evangelização e inserção social dos surdos. Atualmente são atendidos pelo  Centro de Formação e Apoio ao Surdo Dom Fernando Saburido (CEFAS) entre 80 e 100 pessoas.

O encontro também possibilitou aos surdos compreenderem que podem construir sua própria história, segundo a coordenadora das pastorais sociais da Diocese de Sobral, Irmã Rozilda Cordeiro da Silva, do Instituto Josefino. “A grande novidade é que eles se sintam responsáveis pelo seu próprio desenvolvimento e que permaneçam juntos em sintonia e na força do espírito”, destaca.

Aprendizado

O palestrante e ministro da eucaristia Teobaldo Muniz Teixeira viaja pelo Brasil há cerca de cinco anos como missionário para auxiliar outros surdos na vivência dos sacramentos, além de divulgar o trabalho da Pastoral. Ele já foi coordenador da Pastoral dos Surdos no Ceará há 8 anos. Além de Sobral e Fortaleza no Ceará, ele já palestrou em lugares como João Pessoa e Campina Grande (PB), Natal (RN), Teresina (PI), Florianópolis (SC). Em breve, o projeto é começar a realizar palestras internacionais. “Os surdos querem entender a santa missa, são sedentos de Deus. Durante a adoração, explico aos surdos em libras a importância do Espírito Santo”, conta.

Teobaldo diz que “ensina o surdo a aprender e a se desenvolver”. As palestras contemplam temáticas como a sagrada comunhão, a importância da confissão, a adoração ao Santíssimo Sacramento, além de aconselhamentos espirituais e discussão de problemas sociais referentes aos surdos, em especial as dificuldades na família e na sociedade. “O mais importante da missão é evangelizar para que eles consigam viver em sociedade”, defende. Em Sobral, os surdos puderam apreender o sentido da Páscoa e da Ressurreição de Jesus. “Sempre busco fazer comparações com a vida cotidiana e com a família terrestre para que eles possam entender que Deus é bom”.

Serviço

Samuel de Sousa, intérprete da Pastoral dos Surdos de Varjota

Interpretação nas missas é o principal trabalho desenvolvido pela Pastoral dos Surdos da Paróquia Senhora Sant’Ana de Varjota (CE). O intérprete Samuel de Sousa lembra que o trabalho com os surdos começou em 2014 com agentes das várias pastorais. O público de surdos nas missas da paróquia chega a 15 pessoas, mas atualmente a Pastoral precisa ser revitalizada. “Explicamos cada momento da missa, os significados, como a utilização do turíbulo (pequeno incensário), e também adaptamos o texto das leituras para uma linguagem mais simples, por isso precisamos de um conhecimento prévio”, explica. A aceitação do público tem sido sempre positiva, de acordo com ele.

Primeira comunhão

Ana Rayele, 11, estudante e surda

Todos os domingos, a estudante Ana Rayele, 11, que é surda, vai à missa com a família e neste ano está se preparando para a primeira comunhão. Ela conta que antes de conhecer a Pastoral dos Surdos não conhecia quase nada acerca da Palavra de Deus e do seu amor, mas agora “a Pastoral abriu minha mente para entender o amor de Deus”, explica. O trabalho de socialização por meio da religião também a tem ajudado a fazer novas amizades. Rayele lembra que não conseguia conversar com os colegas na escola, apenas com uma menina ouvinte, mas agora já consegue dialogar melhor.

Jonas Deison

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