China lidera disparada global de execuções por pena de morte em 2025, recorde desde 1981

Um novo relatório da Anistia Internacional revela um alarmante aumento nas execuções por pena de morte em 2025, atingindo o maior número registrado em mais de quatro décadas. O documento, intitulado “Sentenças de Morte e Execuções 2025”, aponta que, globalmente, pelo menos 2.707 pessoas foram executadas por ordem judicial, um salto de 78% em comparação com as 1.518 execuções de 2024. Este patamar não era visto desde 1981, sublinhando uma tendência preocupante no cenário global de direitos humanos.

Apesar de não haver dados oficiais da China – que trata as informações sobre pena de morte como segredo de Estado –, a organização estima que o país asiático continua a ser o maior executor mundial, com milhares de condenações e execuções. A ausência de transparência chinesa impede uma contagem precisa, mas as estimativas da Anistia Internacional são baseadas em uma rigorosa compilação de decisões judiciais, informações oficiais, relatos de advogados, familiares de condenados, notícias da imprensa e dados de entidades da sociedade civil.

China e o uso estratégico da pena de morte

A Anistia Internacional destaca que, na China, a pena de morte é frequentemente utilizada como uma ferramenta estratégica pelo governo. As autoridades chinesas empregam essa medida extrema para enviar mensagens políticas claras, demonstrar intolerância a qualquer ameaça percebida à segurança pública e à estabilidade do país, e para reforçar a manutenção da ordem social. Essa prática levanta sérias questões sobre a justiça e os direitos humanos no país.

Embora os números exatos para a China não sejam divulgados, a percepção de que o país lidera as execuções globais é amplamente aceita por organizações de direitos humanos. A falta de transparência dificulta a fiscalização internacional e o debate sobre a aplicação da pena capital.

Crescimento alarmante e os principais países executores

O relatório de 2025 não apenas aponta para o aumento geral das execuções, mas também identifica os países onde essa prática é mais prevalente. Além da China, que lidera as estimativas, o Irã surge com um número impressionante de 2.159 execuções, seguido pela Arábia Saudita com 356. Outros países com números significativos incluem Iêmen (51), Estados Unidos (47) e Egito (23).

A lista de nações que realizaram execuções em 2025 abrange 17 países, incluindo Somália, Kuwait, Singapura, Afeganistão, Emirados Árabes, Japão, Sudão do Sul, Taiwan, Iraque, Coreia do Norte e Vietnã. É importante ressaltar que os números divulgados pela Anistia Internacional representam o mínimo confirmado, e a organização acredita que a real dimensão das execuções no mundo pode ser ainda maior, especialmente em países onde as informações são restritas.

Métodos de execução e a busca por justiça

Os métodos de execução registrados em 2025 variaram consideravelmente entre os países. A Anistia Internacional documentou práticas como decapitação, enforcamento, injeção letal, fuzilamento e, em alguns casos, asfixia por gás nitrogênio. Essa diversidade de métodos reflete as diferentes legislações e tradições jurídicas ao redor do globo, mas todas convergem para a privação da vida como forma de punição.

A organização continua a advogar pela abolição da pena de morte em todo o mundo, argumentando que ela é uma violação dos direitos humanos fundamentais e que não há evidências conclusivas de que funcione como um impedimento eficaz ao crime. O relatório de 2025 serve como um lembrete sombrio da persistência dessa prática e da necessidade contínua de monitoramento e defesa dos direitos humanos. Você pode ler a íntegra do documento, em inglês, clicando aqui.

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