Presidente da Petrobras reafirma compromisso do Brasil com Acordo de Paris

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, declarou nesta segunda-feira (21.set.2026) que o Brasil está “absolutamente em linha” com os compromissos estabelecidos no Acordo de Paris. A afirmação foi feita durante a abertura da ROG.e 2026, um congresso de energia promovido pelo IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), realizado no Rio de Janeiro.

A fala de Chambriard sublinha a posição estratégica do país frente às metas climáticas globais, enquanto a estatal busca equilibrar a segurança energética com a transição para fontes de baixo carbono. O debate sobre o futuro da matriz energética brasileira e o papel da Petrobras nesse cenário ganha destaque em um momento de crescente atenção às questões ambientais e econômicas.

Alinhamento com metas climáticas globais

O Acordo de Paris estabelece que o Brasil deve alcançar a neutralidade de emissões até 2050. Além disso, o país se comprometeu a reduzir as emissões líquidas de gases de efeito estufa em, no mínimo, 59% até 2035, tomando como base os níveis de 2005. Esses objetivos ambiciosos exigem uma coordenação complexa entre desenvolvimento econômico e políticas ambientais.

Magda Chambriard enfatizou que o cumprimento dessas metas climáticas não pode comprometer a oferta de energia e o desenvolvimento econômico nacional. Ela ressaltou que nações com altos índices de desenvolvimento humano tendem a apresentar maior consumo de energia por habitante. O Brasil, segundo a presidente, ainda consome cerca de 30% menos energia per capita do que a média mundial, indicando um potencial de crescimento na demanda energética.

Transição energética justa e sustentável

A presidente da Petrobras defendeu que a transição energética deve ser “justa” e “caber no bolso da nossa sociedade”. Essa perspectiva sugere que as mudanças para uma economia descarbonizada precisam ser economicamente viáveis para a população, sem sacrificar a estabilidade e a confiabilidade do sistema energético.

“Isso não significa abandonar fontes, mas descarbonizar a economia sem perder confiabilidade, estabilidade econômica e universalização do acesso à energia”, afirmou Chambriard. A declaração reforça a visão de que o processo de descarbonização deve ser gradual e inclusivo, garantindo que todos os cidadãos tenham acesso à energia de forma contínua e acessível.

Investimentos estratégicos para o futuro da energia

No contexto da transição, Magda Chambriard defendeu a continuidade dos investimentos em petróleo e gás, argumentando que esses recursos são essenciais para financiar a expansão das fontes de baixo carbono. A Petrobras tem direcionado esforços para áreas como combustíveis sintéticos, biocombustíveis, hidrogênio de baixo carbono, armazenamento de energia e tecnologias de captura de carbono.

A presidente também abordou o desafio de atender a uma demanda energética crescente nas próximas décadas. Projeções indicam que a economia brasileira pode crescer cerca de 80% até 2050, com a necessidade de energia aumentando entre 50% e 55%. Atualmente, a Petrobras fornece aproximadamente um terço da energia primária consumida no país e planeja manter essa participação até 2050, consolidando seu papel central no abastecimento nacional.

Expansão na Margem Equatorial em debate

Um dos pontos centrais da estratégia da Petrobras para sustentar a produção de óleo e gás nas próximas décadas é o avanço da exploração na Margem Equatorial. Chambriard defendeu essa frente de exploração, que tem sido objeto de intenso debate.

Em agosto de 2026, a Petrobras confirmou a descoberta de petróleo no poço Morpho, perfurado no bloco FZA-M-59, a cerca de 175 km da costa do Amapá. Este local está situado na Bacia da Foz do Amazonas, uma das cinco bacias sedimentares que compõem a porção brasileira da Margem Equatorial. Apesar do nome da bacia, a foz do rio Amazonas está a aproximadamente 500 km do poço. Em setembro, o Ibama autorizou a perfuração de outros três poços no mesmo bloco.

O interesse na região é impulsionado pela necessidade de recompor as reservas brasileiras de petróleo. Projeções do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam uma redução de 24% nas reservas provadas até 2035, com a relação entre reservas e produção anual caindo de 17 para 12 anos. No entanto, o avanço na exploração da Margem Equatorial é contestado por ambientalistas, que alertam para a fragilidade dos ecossistemas na costa amazônica e os potenciais riscos ambientais associados.

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