PF apura supostos ‘mimos’ do Banco Master a Jaques Wagner em nova fase de operação

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026, a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que coloca sob investigação a relação entre o Banco Master e pessoas próximas ao senador Jaques Wagner (PT-BA). Os investigadores apuram a concessão de uma série de benefícios, popularmente conhecidos como ‘mimos’, que teriam sido destinados ao líder do governo no Senado ao longo dos últimos anos.

As suspeitas se intensificaram após a análise detalhada do conteúdo extraído do celular de Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master e um dos principais alvos da operação. Além de possíveis atuações em favor dos interesses da instituição financeira no Congresso Nacional, a PF foca em indícios de vantagens como um apartamento e o uso de jatinho.

Detalhes da investigação sobre benefícios a Jaques Wagner

A investigação da Polícia Federal concentra-se em indícios de que um apartamento teria sido repassado ao senador por Augusto Lima, com a participação de intermediários ligados ao grupo sob apuração. Lima, que era ex-sócio do Banco Master, é apontado como figura central na interlocução do grupo com o meio político, especialmente no Congresso Nacional.

Além do imóvel, a PF também apura o suposto uso de um jatinho particular, que se enquadraria na categoria de ‘mimos’ concedidos pelo Banco Master. Essas apurações buscam esclarecer a natureza e a legalidade dessas vantagens, bem como sua possível vinculação a interesses da instituição financeira.

Repasses financeiros à nora do senador

Outra vertente importante da Operação Compliance Zero envolve os repasses financeiros realizados pelo Banco Master à BK Financeira, empresa de propriedade de Bonnie de Bonilha, nora do senador Jaques Wagner. O caso, inicialmente revelado pela colunista Milena Teixeira do Metrópoles, indica que a empresa recebeu cerca de R$ 11 milhões da instituição financeira desde 2021.

Oficialmente, a BK Financeira teria sido contratada para prospectar operações de crédito consignado. Bonnie de Bonilha é casada com Eduardo Sodré, enteado de Jaques Wagner e atual secretário de Meio Ambiente da Bahia, o que levanta questionamentos sobre a natureza desses pagamentos e sua relação com a atuação política do senador.

Histórico e conexões com o Banco Master

A ligação entre o senador Jaques Wagner e o grupo liderado por Daniel Vorcaro, do Banco Master, é apontada como antiga pelos investigadores. As conexões remontam ao período em que Wagner era governador da Bahia, quando ocorreu a privatização da rede Cesta do Povo.

Essa operação de privatização deu origem ao Credcesta, um cartão de crédito consignado que, ao longo do tempo, se consolidou como um dos principais negócios do Banco Master. A PF busca entender se essa relação histórica e as operações subsequentes podem ter influenciado as supostas concessões de benefícios.

Posicionamento do senador sobre as acusações

Em manifestações anteriores sobre as acusações, o senador Jaques Wagner negou veementemente qualquer irregularidade. Ele afirmou que nunca participou de negociações ou intermediações em favor das empresas ligadas a seus familiares, rechaçando as suspeitas levantadas pela investigação.

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