PF faz “combo” de depoimentos sobre Master e BRB
A PF (Polícia Federal) realiza uma série de depoimentos relacionados ao caso envolvendo o Banco Master e o BRB (Banco de Brasília), em um “combo” de oitivas. Segundo o analista de Segurança Pública da CNN, Elijonas Maia, ao Bastidores CNN, o objetivo da PF é encerrar o inquérito que apura uma teia de supostas fraudes entre as duas instituições financeiras.
Três nomes estão no centro das investigações: o ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro, o empresário e ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
Os depoimentos ocorreram em dias consecutivos, com Vorcaro e Paulo Henrique Costa sendo ouvidos na quinta-feira (15), e Augusto Lima sendo interrogado na sexta-feira (16).
Augusto Lima fala por horas à Polícia Federal
O depoimento de Augusto Lima, descrito pelos investigadores como uma peça-chave para fechar o quebra-cabeça do caso, começou às 10 horas da manhã e foi interrompido ao meio-dia e meia para o almoço, com previsão de retomada às 14 horas.
Segundo fontes da Polícia Federal, Lima está “falando bastante”, o que justificou a necessidade de mais tempo para o interrogatório. Lima é apontado como ex-sócio de Vorcaro no Banco Master.
O depoimento aborda a negociação entre o Banco Master e o BRB, as cartas de crédito envolvendo a empresa Tirreno — apontada como intermediária no esquema —, e as chamadas “cartas podres”, no valor de R$ 12 bilhões, sobre as quais a PF aponta a ocorrência de fraudes.
Vorcaro e Paulo Henrique Costa negam irregularidades
Na quinta-feira (15), Daniel Vorcaro prestou um depoimento de quatro horas à Polícia Federal, das 15 horas às 19 horas, de forma presencial na Papudinha, onde está preso. Foi a primeira vez que uma equipe da PF se deslocou até o 19º Batalhão da Polícia Militar para ouvi-lo.
No mesmo dia, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também foi ouvido. Ambos negaram a existência de fraudes e afirmaram, em horários distintos mas de forma semelhante, que não prejudicaram o BRB e que não atuaram contra a instituição.
A Polícia Federal aponta ainda que houve contrapartida financeira na negociação de compra e venda entre o BRB e o Banco Master — o que, em termos diretos, configuraria pagamento de propina entre Vorcaro e Paulo Henrique Costa.
O valor seria de R$ 150 milhões em imóveis de luxo em Brasília e coberturas em São Paulo, para que a negociação avançasse. O Banco Master, no entanto, acabou sendo liquidado.
Investigação tem origem na Operação Compliance Zero
O caso teve início no ano passado e deu origem à primeira fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Augusto Lima e Daniel Vorcaro em 17 de novembro.
Com o depoimento de Augusto Lima completando a tríade de oitivas, a PF deve avançar para a etapa final do inquérito. A expectativa é de que, em breve, seja definido se haverá indiciamentos e quem serão os indiciados.
Fonte:CNN Brasil

