Por que o Nordeste é a região do Brasil com maior risco de terremotos
Apesar de o Brasil estar localizado no interior da Placa Sul-Americana, longe das áreas onde os grandes terremotos costumam acontecer, o país não está totalmente livre de abalos sísmicos. No território nacional, o Nordeste aparece como a região mais suscetível a tremores de terra. A explicação está ligada à estrutura geológica que existe abaixo de parte dos estados nordestinos, especialmente na chamada Província Borborema, uma formação rochosa que abrange áreas do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas.
Nessa faixa do Nordeste, a crosta terrestre é considerada mais fina do que a média observada em outras regiões continentais. Enquanto em muitos pontos do planeta a crosta ultrapassa os 40 quilômetros de espessura, em áreas nordestinas ela pode variar entre 30 e 35 quilômetros, chegando a ser ainda menor em determinados trechos. Essa característica torna a região mais sensível ao acúmulo de tensões internas, que podem ser liberadas em forma de pequenos ou moderados tremores.
A origem desse fenômeno está associada à separação entre a América do Sul e a África, ocorrida há milhões de anos, durante a formação do Oceano Atlântico. No processo de afastamento dos continentes, a crosta na região onde hoje fica parte do Nordeste teria sido esticada de forma mais intensa, ficando mais fina e frágil em comparação com outras áreas. Com o passar do tempo, essa estrutura permaneceu marcada por falhas antigas, que ainda podem reagir às forças naturais de acomodação da crosta terrestre.
Os terremotos no Nordeste, no entanto, não costumam alcançar a mesma intensidade dos grandes abalos registrados em países localizados nas bordas de placas tectônicas, como Chile, Japão ou Indonésia. Mesmo assim, os tremores podem ser sentidos pela população, causar sustos, rachaduras em imóveis e preocupação em cidades onde há recorrência de eventos sísmicos. Para especialistas, o monitoramento constante é essencial para compreender melhor a atividade geológica da região e orientar medidas de prevenção, principalmente em áreas onde os abalos são mais frequentes.
Fonte: G1

