Pressão no Senado: Vieira acusa Alcolumbre de articular contra nome de Messias
O cenário político em Brasília ferveu nesta quarta-feira (29.abr.2026) com uma revelação contundente do senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Ele afirmou ter sido procurado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), com o objetivo de articular um voto contrário à indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração, feita na saída da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, adiciona uma camada de tensão aos bastidores da mais recente sabatina na Casa.
A controvérsia surge em um momento crucial, logo após a histórica rejeição do nome de Messias pelo plenário do Senado. A indicação, proposta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enfrentou forte resistência, culminando em um resultado inédito em mais de um século: a primeira vez que um nome para o STF é barrado pelo Congresso em 132 anos.
A Revelação de Vieira e a Pressão Contra Messias
O senador Alessandro Vieira, que declarou voto favorável a Jorge Messias durante a sabatina na CCJ, surpreendeu ao confirmar a abordagem de Davi Alcolumbre. Segundo Vieira, o presidente do Senado buscou influenciá-lo a votar contra o advogado-geral da União. A fala do parlamentar de Sergipe foi recebida com aplausos por governistas, evidenciando o racha dentro da Casa Legislativa.
A postura de Alcolumbre, que já demonstrava publicamente sua resistência ao indicado do governo Lula, ganha novos contornos com a denúncia de Vieira. A articulação nos corredores do Congresso é uma prática comum, mas a exposição pública de uma suposta tentativa de barrar um nome de tamanha relevância acende o debate sobre os limites das negociações políticas e a transparência dos processos decisórios.
O Percurso de Jorge Messias e a Rejeição Histórica
A indicação de Jorge Messias ao STF percorreu um caminho turbulento no Senado. Inicialmente, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou seu nome após uma sabatina exaustiva, que se estendeu por mais de oito horas. O placar na comissão foi de 16 votos favoráveis contra 11 contrários, superando o mínimo de 14 votos necessários para a aprovação.
No entanto, o cenário mudou drasticamente no plenário. Em uma votação apertada e de grande repercussão, o nome de Messias foi rejeitado com 42 votos contrários e 34 favoráveis. Para a aprovação, seriam necessários 41 votos, o que não foi alcançado. Este desfecho obriga o presidente Lula a apresentar um novo nome para a Suprema Corte. A rejeição marca um precedente histórico, sendo a primeira vez em mais de um século que um indicado presidencial ao STF não obtém a aprovação do Senado.
A Reação Governamental e o Silêncio da Presidência do Senado
Diante das acusações sobre a atuação de Davi Alcolumbre, o líder do Governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), minimizou a situação. Questionado por jornalistas, Wagner afirmou não ter conhecimento direto das supostas articulações de Alcolumbre. “Vocês da imprensa toda hora me trazem que ele está pedindo contra. Eu não sei. Eu não tenho escuta com Davi Alcolumbre. Ele tem o direito de fazer o que bem entender”, declarou o senador petista.
A assessoria de Davi Alcolumbre foi procurada para comentar as declarações de Alessandro Vieira, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. A falta de posicionamento oficial do presidente do Senado mantém o clima de especulação e tensão em torno dos bastidores da votação que culminou na rejeição de Jorge Messias, deixando em aberto as motivações por trás da articulação.
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