Prisões em SP desarticulam rede do PCC que planejava atentados contra autoridades
A Polícia Civil de São Paulo, em conjunto com o Ministério Público, desferiu um duro golpe contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) com a prisão dos dois últimos suspeitos de integrar uma rede de inteligência da facção. O grupo é acusado de levantar informações detalhadas sobre o coordenador de presídios Roberto Medina e o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Presidente Prudente, que seriam alvos de um plano de atentado.
As capturas, realizadas nesta sexta-feira (14/8) no interior de São Paulo, marcam a conclusão de uma fase importante da Operação Recon, que visa desarticular as ações criminosas da facção contra figuras públicas. Com estas prisões, todos os quatro indivíduos denunciados como parte dessa estrutura de inteligência estão agora detidos, reforçando a atuação das forças de segurança contra o crime organizado.
Operação Recon: As Prisões que Desarticulam a Rede do PCC
As prisões de Victor Hugo da Silva, conhecido como “VH”, e Adilson Audinir Oliveira Junior, o “Ju Machado”, ocorreram nas cidades de Presidente Prudente e Álvares Machado, ambas no interior paulista. Ambos eram considerados os últimos investigados do grupo que ainda estavam em liberdade, sendo peças-chave na engrenagem criminosa.
Além de VH e Ju Machado, a denúncia do Ministério Público também aponta Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, o “Corinthinha”, e Sérgio Garcia da Silva, conhecido como “Messi”, como integrantes da rede. Estes dois já se encontravam presos por outros crimes. A Operação Recon, portanto, culmina com a detenção de todos os envolvidos na trama contra as autoridades.
A Estratégia de Monitoramento e o Plano de Atentado do PCC
As investigações revelaram que o grupo, atuando na estrutura do PCC desde, pelo menos, junho de 2025, monitorava intensamente a rotina do coordenador de presídios da região Oeste de São Paulo, Roberto Medina, e do promotor de Justiça Lincoln Gakiya. A apuração teve início após a análise de celulares apreendidos com indivíduos presos por tráfico de drogas, que continham informações cruciais.
Um dos aparelhos, pertencente a Victor Hugo da Silva, o “VH”, foi fundamental para desvendar a trama. Segundo o Ministério Público, VH utilizou um aplicativo de localização e georreferenciamento para mapear o trajeto entre a Penitenciária II de Presidente Venceslau e a residência de Roberto Medina. Os registros incluíam nomes de ruas, referências visuais e detalhes precisos do percurso, além de informações sobre a rotina da esposa de Medina.
Para os investigadores, esse material seria crucial para orientar outros membros da facção na execução de um possível atentado. A investigação demonstrou que o grupo operava de forma compartimentada, com cada integrante desempenhando uma tarefa específica na coleta de dados, visando preparar ataques contra os alvos monitorados.
Outra Trama Criminosa: A Operação Pronta Resposta e Esquemas de Extorsão
Em um desdobramento paralelo, a Operação Pronta Resposta, deflagrada em 22 de agosto de 2025, investigou uma organização criminosa ligada ao PCC que planejava um atentado contra a vida do promotor de Justiça do Gaeco Amauri Silveira Filho. Durante as apurações, o Gaeco descobriu um encontro entre um dos principais acusados pela execução do plano e o chefe dos investigadores da Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas, uma semana antes da deflagração da operação.
Vídeos apreendidos confirmaram o encontro, e o Gaeco investiga a possibilidade de informações privilegiadas e sensíveis terem sido repassadas ao criminoso pelo investigador de polícia. As investigações também revelaram um esquema de extorsão envolvendo um dos principais membros da organização criminosa, que estava sendo chantageado por um agente que se valia de informações privilegiadas.
O aprofundamento do caso revelou que o responsável direto pela extorsão seria um estagiário do próprio Ministério Público. Este estagiário teria se infiltrado propositalmente em uma das Promotorias de Justiça Criminais de Campinas meses antes, utilizando bancos de dados e sistemas de pesquisa, com o auxílio de outros agentes públicos, para identificar criminosos de alto poder econômico e extorquir dinheiro em troca de suposta proteção nas investigações.
Entre os agentes públicos envolvidos estariam um policial penal e um ex-policial civil, este último já expulso da corporação anos atrás por extorsão mediante sequestro. Elementos colhidos indicam que os atos de extorsão teriam sido praticados com o uso da internet de um escritório de advocacia, evidenciando a complexidade e a rede de contatos dos criminosos.
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