Procura por testes aumenta e Ceará já registra quase 50% de todos os exames realizados em dezembro

A quantidade de testes para detecção da Covid-19, no Ceará, disparou nas últimas semanas. Após registrar um aumento de 19% na quantidade dos exames realizados no mês de dezembro ante novembro de 2021, os dez primeiros dias deste ano já contabilizam quase 50% de todos os testes aplicados no mês passado.

Em novembro, foram 45.657 testes. No mês seguinte, salto de 19%, chegando a 55.634 exames. Do dia 1º de janeiro até ontem, dia 10, já são 26.055 (46,8%). Os dados foram extraídos na tarde desta terça-feira (11), do IntegraSus, portal oficial da Secretaria da Saúde (Sesa) do Ceará.

Conforme a Pasta, esses números englobam os exames realizados tanto da rede pública, quanto na privada. “Todos os testes aplicados no Ceará devem ser notificados à Sesa”, especificou a assessoria de comunicação da Secretaria da Saúde.

O crescimento iniciado em dezembro, e que se confirma neste início de mês, mostra uma ruptura do padrão que se apresentava desde abril do ano passado. Há um ano, o Ceará realizou quase 139 mil testes. No mês seguinte, o índice passou para 198.533. Em março de 2021, novo aumento, chegando a 286.826 exames para detecção do vírus SARS-Cov-2.

No mês de abril do ano passado, a Sesa contabilizou outro salto nos testes, atingindo 288.969 exames, o pico registrado em 2021. Daquele mês em diante, a quantidade de testes iniciou o processe de declínio contínuo, até chegar em dezembro, quando a curva para baixo reverteu.

Para Ivo Castelho Branco, infectologista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), os testes em profusão têm o importante papel de “identificar a realidade a qual estão vivendo: há mais casos de Covid ou de gripe, por exemplo? Essa resposta é dada através dos testes e conhecer essa realidade nos garante aplicar um plano de ação assertivo e eficaz”.

O também médico infectologista, Keny Colares, acrescenta que esse aumento exponencial dos exames pode ser tomado como um termômetro para a incidência das síndromes. “A positividade dos testes aumentou, e também o monitoramento dos esgotos sinaliza um aumento importante de casos”.

A avaliação do especialista se confirma em números. A curva epidemiológica – assim como a quantidade de testes – começou a crescer ainda em dezembro e, neste começo de ano, demonstra maior velocidade de disseminação.

Levantamento realizado pelo Diário do Nordeste identificou que em apenas 8 dias de janeiro, o Estado já acumulava 75% dos casos de infecção registrado ao longo dos 31 dias de dezembro. Esse cenário coaduna com o alerta feito, ainda em dezembro, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ao avaliar que a variante Ômicron “se espalha em velocidade sem precedentes”.

 

Legenda: Aumento na testagem é, na opinião de especialistas, termômetro para a incidência das síndromes
Foto: Thiago Gadelha

 

Devido ao avanço no processo de imunização, os casos de infecção, em sua grande maioria, têm apresentado sintomas leves. Contudo, a taxa de ocupação nas UTIs começa a crescer e já há mortes, neste ano, por decorrência da Covid-19.

Nos primeiros sete dias deste ano, a Covid-19 já havia causado 18 mortes, distribuídas em 13 municípios. Foram 12 homens e cinco mulheres, metade deles com mais de 60 anos de idade. Um óbito não teve o sexo informado.

Agora, se contabilizado as mortes até essa segunda (10) – data da última atualização do IntegraSus – já são 26 óbitos. O perfil dessas mortes, assim como nos casos graves que exigem internação, é, majoritariamente, entre não-vacinados. Este grupo, conforme consenso de especialistas, são os mais vulneráveis.

“Quem toma as duas doses e mais a dose de reforço reduz as chances de sintomas mais graves”, ressalta a médica infectologista Sefora Pascoal. Ivo completa que a imunização não evita a pessoa contrair ou transmitir o vírus, “mas ameniza a repercussão, isto é, os sintomas são leves na maioria dos casos”.

“Estima-se que apenas 1% dos vacinados vão ter complicações mais graves. É um índice pequeno, mas quando ampliado muito o número de infectados, essa porcentagem automaticamente ganha outras proporções. Por isso é necessário reduzir a transmissibilidade, para que os hospitais não voltem a sobrecarregar e não tenhamos aumentos nos óbitos“, conclui Castelo Branco.

Fonte: Diário do Nordeste

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