Quixeramobim: queijo coalho maturado de alto padrão conquista o mercado gourmet

A pequena Quixeramobim, localizada no coração do Ceará, está redefinindo o conceito de produção de queijos finos no Brasil. Uma iniciativa audaciosa, nascida em uma fazenda local, transformou o tradicional queijo coalho em uma iguaria maturada de alto padrão, colocando o município em destaque no cenário gastronômico gourmet.

O projeto, que teve início em 2023 como uma experiência artesanal para consumo próprio, rapidamente escalou para uma produção estruturada. Combinando tecnologia de ponta, rigoroso controle de qualidade e inspiração nas consagradas tradições queijeiras italianas, o empreendimento já se consolida como referência regional no segmento de laticínios especiais.

Do campo à mesa: a jornada do queijo em Quixeramobim

Batizado de Nossa Santa, o empreendimento foi idealizado pelo empresário e produtor conhecido como doutor Cândido. O que começou como degustações entre familiares e amigos, ganhou escala após a repercussão positiva dos produtos, impulsionando a criação de uma equipe especializada e a adoção de padrões técnicos rigorosos.

Todo o processo produtivo tem seu início na própria fazenda, com o leite fresco da ordenha. Após a coleta, o material passa por etapas cruciais de controle de temperatura, separação e adição de culturas específicas. Esses microrganismos são fundamentais para desenvolver o sabor, a textura e, acima de tudo, garantir a segurança alimentar do queijo.

Tecnologia e tradição: o segredo da maturação perfeita

Após as etapas iniciais, o queijo é cuidadosamente moldado e permanece em formas por cerca de 24 horas. Em seguida, é submetido ao processo de salga, que é padronizado de acordo com o peso de cada peça – a regra é de um dia de salga para cada quilo, assegurando a uniformidade do sabor e a qualidade final do produto.

A fase de maturação é considerada o ponto alto do processo, onde o queijo desenvolve suas características mais marcantes. Inicialmente, as peças permanecem por aproximadamente 30 dias em uma sala com temperatura controlada de cerca de 12 graus, permitindo a formação da casca inicial. Posteriormente, são transferidas para câmaras de maturação, onde permanecem por períodos que variam entre três e seis meses, dependendo do tipo de queijo.

Atualmente, a estrutura de maturação da fazenda armazena cerca de 30 toneladas de queijo parmesão em processo de finalização. A produção abastece principalmente o mercado de Fortaleza, com distribuição estratégica para supermercados, hotéis e restaurantes, consolidando a presença do produto cearense na capital.

Crescimento e reconhecimento: o queijo cearense conquista novos mercados

Nos primeiros anos do projeto, a produção mensal girava em torno de 600 quilos. Com a ampliação da estrutura e o aprimoramento técnico contínuo, o volume atual ultrapassa as quatro toneladas mensais. Além do parmesão, a queijaria também se dedica ao desenvolvimento de queijos autorais, inspirados em técnicas europeias, como o tipo Gouda, mas com uma identidade própria do sertão cearense.

Um dos grandes diferenciais da Nossa Santa é o uso de insumos selecionados, incluindo coalhos importados e fermentos desenvolvidos na própria fazenda. Essa atenção aos detalhes visa manter um padrão de alta qualidade e criar produtos com características exclusivas, valorizando o conceito de terroir e a singularidade da região. Todo o processo produtivo é monitorado rigorosamente, desde a entrada do leite até a saída do produto final embalado, com foco em controle sanitário e técnico.

A produção já conquistou reconhecimento em concursos nacionais e vem ampliando sua presença no mercado. Embora o foco de distribuição atual seja o Ceará, há planos ambiciosos de expansão para outros estados e, futuramente, para o mercado internacional. A projeção da empresa é iniciar exportações nos próximos anos, com a expectativa de que, em até cinco anos, o queijo produzido em Quixeramobim chegue a outros países. Essa estratégia visa consolidar o produto como um queijo gourmet de origem sertaneja, agregando valor à cadeia produtiva local.

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