A mulher de 35 anos encontrada morta dentro de casa na manhã desta segunda-feira (31), na Rua da Goiabeira Serrana, no Jardim São Martinho, na Zona Leste de São Paulo, era cearense e foi identificada como Marcila de Souza Carvalho.
O caso foi registrado como feminicídio pelo 50º Distrito Policial do Itaim Paulista. Segundo o boletim de ocorrência, policiais militares foram chamados para atender a uma ocorrência de encontro de cadáver e acharam Marcila já sem vida, com sinais aparentes de violência e grande quantidade de sangue no local.
Uma análise preliminar do corpo apontou um possível ferimento provocado por instrumento perfurocortante na região do pescoço.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado, e o médico que esteve no endereço constatou a morte da vítima no local. A perícia também foi chamada para realizar os trabalhos na residência.
Vítima morava em SP há 10 anos
Nas redes sociais, a família de Marcila Souza realiza uma campanha solidária para levar o corpo da vítima de volta ao Ceará, onde ela será velada.
Em entrevista ao g1, a irmã de Marcila disse que a vítima deixa cinco filhos. A vítima teria relatado a vizinhos que era ameaçada constantemente pelo ex-namorado, por não aceitar o fim do relacionamento.Marcila morava em SP há 10 anos e tinha um filho com o suspeito investigado. Há quatro meses, a cearense terminou o relacionamento com o homem, mas ele continuava buscando contato com a vítima. Na residência, moravam Marcila e dois de seus cinco filhos.
“Eles estavam juntos há três anos [a vítima e o investigado], mas terminavam e voltavam. Ela tinha medida protetiva contra ele e eu não sabia. Peguei a papelada hoje. O meu desespero é dinheiro que a gente não tem para levar o corpo dela daqui de São Paulo para o Ceará”, desabafou a familiar.
Marcila Souza era natural da cidade cearense de Nova Russas, que fica a cerca de 300 quilômetros de Fortaleza. Ao encontrar o corpo da vítima, a irmã disse que ela apresentava pancadas na cabeça, perna e virilha.
Ex-companheiro é investigado
O ex-companheiro da vítima, Eric Draven Trajano Oliveira, de 25 anos, é investigado pela Polícia Civil. Segundo o boletim, uma testemunha informou aos policiais que recebeu mensagens de áudio enviadas por Eric após a morte de Marcila.
De acordo com o relato da testemunha, Eric teria afirmado nas mensagens que foi até a residência de Marcila e a encontrou já sem vida. Ele também teria mencionado que a vítima estaria se relacionando com outro homem e levantado a possibilidade de que esse homem fosse responsável pela morte.A testemunha, porém, afirmou à polícia que não presenciou o crime e que as informações sobre a possível autoria foram obtidas exclusivamente por meio dos áudios enviados por Eric.
O celular com as mensagens foi apresentado aos policiais para as providências de investigação. Até o encerramento do boletim de ocorrência, Eric não havia sido localizado e, por isso, não tinha sido ouvido pela polícia.
Testemunha encontrou vítima
Um vizinho relatou à polícia que mora em uma casa em frente à residência de Marcila. Segundo ele, por volta das 10h, ouviu uma criança chorar e, posteriormente, uma mulher chamar pela vítima, que não respondia.
O vizinho afirmou que entrou no imóvel e encontrou Marcila caída no chão, com bastante sangue e já sem vida. Ele disse ainda que não viu ninguém entrando na casa naquele momento.
Ainda segundo o depoimento, Eric havia morado no local quando era companheiro de Marcila, mas tinha deixado a residência alguns mes
Investigação
A Polícia Civil solicitou perícia no local e exame necroscópico. Os laudos devem ajudar a esclarecer a causa da morte e as circunstâncias do crime.
O boletim também registra a existência de um boletim de ocorrência anterior, de violência doméstica, no qual Eric parece como autor. O documento foi anexado ao registro do feminicídio.
A investigação continua para esclarecer a autoria e a motivação da morte de Marcila. A polícia aguarda os laudos periciais e necroscópico, além dos demais exames solicitados.
Fonte: G1 CE

