Reforma tributária ameaça reciclagem com alta de impostos de até 26,5%
A reforma tributária em curso promete provocar um forte impacto no setor da reciclagem no Brasil. Com a unificação de tributos e o fim de regimes especiais, a carga tributária incidente sobre materiais reciclados deve saltar de atuais 5% a 6,5% para cerca de 26,5% com a implementação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). A mudança ocorrerá de forma gradual ao longo do período de transição, que começa agora e segue até 2033, mas já acende um alerta vermelho entre empresas e trabalhadores do setor.
Representantes da cadeia da reciclagem afirmam que o aumento pode comprometer a viabilidade econômica da atividade, especialmente para pequenos recicladores e cooperativas, que operam com margens reduzidas. O setor, considerado estratégico para a sustentabilidade ambiental e a economia circular, teme que o novo modelo tributário desestimule a formalização, reduza investimentos e encareça o custo final dos produtos reciclados, tornando-os menos competitivos frente às matérias-primas virgens.
Além do impacto financeiro, a reforma também impõe novas exigências de controle fiscal e compliance, o que pode ampliar os custos operacionais. Especialistas alertam que, sem mecanismos de compensação ou incentivos específicos, o país corre o risco de enfraquecer uma atividade fundamental para a redução de resíduos, geração de empregos e preservação ambiental, indo na contramão dos compromissos climáticos e de desenvolvimento sustentável assumidos pelo Brasil.

