Reprovação do STF atinge recorde histórico entre brasileiros, revela Datafolha

Uma nova pesquisa Datafolha, divulgada recentemente, acende um alerta sobre a percepção pública em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF). O levantamento aponta que 47% dos brasileiros avaliam o trabalho dos ministros da Corte como ruim ou péssimo, marcando a taxa mais alta desde o início da série histórica em 2019. Os dados refletem um cenário de crescente insatisfação e questionamentos sobre a atuação do Judiciário no país.

A pesquisa, realizada entre 22 e 23 de setembro de 2026, ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios brasileiros. Com uma margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e um grau de confiança de 95%, o estudo oferece um panorama robusto da opinião nacional. O custo do levantamento foi de R$ 307.641,60, financiado pela Folha e pela TV Globo, e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00304/2026.

A avaliação geral do STF e a polarização política

Além da alta reprovação, a pesquisa detalha outras facetas da percepção pública sobre o STF. Apenas 18% dos entrevistados consideram o desempenho dos magistrados ótimo ou bom, enquanto 31% classificam o trabalho como regular. Uma pequena parcela, 4%, preferiu não opinar sobre o tema, evidenciando que a maioria dos brasileiros tem uma posição definida em relação à Corte.

As opiniões se mostram fortemente polarizadas de acordo com as preferências políticas dos eleitores. Entre os apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 32% aprovam a atuação dos ministros como ótima ou boa. Em contrapartida, apenas 6% dos eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) compartilham dessa visão positiva. A disparidade é ainda mais acentuada na avaliação negativa: 69% dos eleitores de Flávio Bolsonaro consideram o desempenho do STF ruim ou péssimo, enquanto essa percepção é compartilhada por 24% dos eleitores de Lula.

Impacto nas candidaturas e condutas ministeriais sob escrutínio

O Datafolha também investigou como a atuação dos ministros do STF é percebida em relação ao cenário político. Para 33% dos brasileiros, a Corte mais prejudica do que beneficia a candidatura de Flávio Bolsonaro. Já 23% acreditam que o presidente Lula é o mais prejudicado pela atuação do Supremo, revelando uma complexa teia de percepções sobre a influência judicial no processo eleitoral.

A pesquisa aprofundou-se na aceitação de possíveis condutas de ministros durante o exercício do cargo, revelando um alto nível de rejeição a práticas que podem gerar conflito de interesses ou dúvidas sobre a imparcialidade. A conduta mais reprovada, considerada inaceitável por 88% dos entrevistados, é a de um ministro julgar processos cujo advogado seja seu parente. Em seguida, 85% desaprovam um ministro aceitar convites para eventos pagos por empresas com ações no tribunal.

O anseio por um código de ética específico

Outras práticas também enfrentam forte rejeição, embora em menor grau. Ser sócio de empresa privada durante o exercício do cargo (78%), receber pagamentos por palestras de empresas privadas (78%) e dar entrevistas ou opiniões públicas sobre processos em julgamento (71%) são condutas que a maioria dos brasileiros considera inaceitáveis. Esses números sublinham a demanda por maior transparência e rigor ético na mais alta Corte do país.

Em um reflexo direto dessa preocupação, o levantamento mostra que 45% dos brasileiros aprovam a ideia de um código de ética específico para ministros do STF. Embora 33% se oponham a essa proposta, a maioria dos entrevistados demonstra um claro desejo por regras mais claras e rigorosas que possam guiar a conduta dos magistrados e restaurar a confiança na instituição.

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