Brasil celebra reunificação: mais de 80 mil crianças retornam às famílias biológicas
No Dia Nacional da Adoção, celebrado nesta segunda-feira (25), dados recentes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelam uma tendência significativa no sistema de proteção à infância e juventude brasileiro. Desde 2020, um impressionante número de 80.103 crianças e adolescentes que estavam em instituições de acolhimento em todo o país conseguiram retornar para suas famílias biológicas. Este volume de reunificações familiares supera consideravelmente o de adoções, destacando a prioridade do Estado em reintegrar menores aos seus lares de origem sempre que possível.
A informação, extraída do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), sublinha que a resolução de conflitos que levaram ao afastamento inicial e o consequente retorno ao convívio com pais ou parentes próximos configuram o desfecho mais comum para os jovens assistidos pela rede de proteção. Este cenário reflete o esforço contínuo da Justiça e dos órgãos sociais em preservar os vínculos familiares, um pilar fundamental para o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes.
O panorama da reunificação familiar no Brasil
A análise dos dados do CNJ demonstra que a reunificação familiar é, de fato, o caminho mais frequente para crianças e adolescentes em situação de acolhimento. Enquanto mais de 80 mil menores foram reintegrados às suas famílias biológicas nos últimos anos, o número de adoções formalizadas no Brasil, desde 2019, totaliza 33.559. Essa diferença expressiva ressalta a importância dada à manutenção dos laços de sangue e à superação das adversidades que levaram ao afastamento inicial.
Atualmente, o país registra 36.428 menores vivendo em abrigos, casas-lares ou programas de família acolhedora. É crucial entender que a presença de uma criança ou adolescente em uma dessas instituições não significa, automaticamente, que ela esteja disponível para adoção. O acolhimento é uma medida protetiva temporária, implementada quando a família de origem não consegue prover os cuidados necessários, mas com o objetivo primário de restabelecer o convívio familiar.
O processo de acolhimento e a busca pelo vínculo
O sistema de proteção à infância e juventude atua com a premissa de que o período de acolhimento institucional deve ser o mais breve possível. A decisão de retorno à família biológica é tomada pela Justiça da Infância e da Juventude após rigorosa avaliação de que os problemas que motivaram o afastamento foram devidamente solucionados e que o ambiente familiar se tornou seguro e adequado para o menor. Este processo envolve acompanhamento psicossocial e apoio às famílias para que possam reestruturar-se.
A destituição do poder familiar, que é a condição para que uma criança ou adolescente seja considerada apta à adoção, ocorre somente quando todas as possibilidades de manutenção do vínculo com a família biológica são esgotadas. É um passo extremo, tomado apenas quando não há mais esperança de que a família de origem possa oferecer um ambiente seguro e amoroso.
Desafios na adoção e o perfil dos pretendentes
Para os casos em que a reunificação familiar não é viável, o sistema busca pretendentes habilitados para a adoção. Atualmente, o Brasil conta com 32.065 pessoas ativas na fila de espera para adotar. No entanto, existe um descompasso entre o perfil das crianças e adolescentes aptos à adoção e as preferências dos adotantes. Hoje, apenas 6.247 crianças estão juridicamente prontas para serem adotadas no país.
Um dos grandes desafios reside na preferência dos adotantes por perfis específicos, como crianças mais novas, sem irmãos ou sem necessidades especiais. Essa realidade dificulta a colocação de crianças mais velhas, adolescentes ou grupos de irmãos, que frequentemente permanecem por mais tempo nas instituições de acolhimento. Além disso, a distribuição geográfica dos pretendentes também é um fator, com estados como São Paulo concentrando um grande número de famílias habilitadas, enquanto regiões como Norte e Centro-Oeste possuem menor densidade de interessados, o que pode atrasar o processo de adoção em determinadas localidades.
A complexidade do sistema de adoção e acolhimento reflete a busca constante por garantir o direito de cada criança e adolescente a um lar seguro e amoroso, seja ele na família biológica ou em uma família substituta.
Você encontra mais notícias em nosso site www.sobralonline.com.br e redes sociais. Siga-nos em @SobralOnline (https://www.instagram.com/sobralonline/) para ficar por dentro das últimas informações!

