Roraima: eleitores decidem futuro governador em pleito suplementar decisivo

Os olhos do Brasil se voltam para Roraima neste domingo, 21 de junho de 2026, quando os eleitores do estado vão às urnas para definir o novo governador e vice-governador em uma eleição suplementar. O pleito, convocado após a cassação do mandato do então governador Edilson Damião, promete ser um dos mais acompanhados do cenário político regional, com um mandato em disputa que se estende até 5 de janeiro de 2027.

Mais de 384 mil roraimenses estão aptos a exercer seu direito cívico e escolher os gestores que comandarão o estado. A votação ocorre das 8h às 17h, distribuída em 350 locais de votação pelos 15 municípios, marcando um capítulo crucial na história política de Roraima.

Urnas abertas: eleitores de Roraima definem novo governador

A mobilização eleitoral em Roraima é significativa, com 384.582 eleitores aptos a votar. As 1.483 seções eleitorais estão organizadas em nove zonas eleitorais, abrangendo todos os 15 municípios do estado. A capital, Boa Vista, concentra a maior parte do eleitorado, com 229.509 votantes, o que representa quase 60% do total.

Outros municípios também contribuem com números expressivos, como Rorainópolis, com 22.606 eleitores, e Cantá, que registra 17.254 aptos. Em contraste, São João da Baliza possui o menor colégio eleitoral do estado, com 5.556 eleitores, evidenciando a diversidade demográfica e eleitoral da região.

O contexto da eleição: cassação e interinidade

A necessidade deste pleito suplementar surgiu após a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em 30 de abril, que cassou o mandato do então governador Edilson Damião (União Brasil). A cassação, que gerou grande repercussão, abriu caminho para a realização de uma nova eleição e a reorganização do cenário político local. Para mais detalhes sobre o contexto da cassação, clique aqui.

Com a saída de Damião, o presidente da Assembleia Legislativa de Roraima, Soldado Sampaio (Republicanos), assumiu interinamente o governo. Sua gestão provisória se estende até a posse dos novos governantes eleitos democraticamente, garantindo a continuidade administrativa do estado durante este período de transição.

Disputa acirrada: as chapas em busca do governo

Três chapas estão na corrida pelo governo de Roraima, cada uma buscando conquistar o eleitorado com suas propostas e visões para o futuro do estado. A chapa liderada por Soldado Sampaio (Republicanos) tem Tayla Peres (Republicanos) como candidata a vice-governadora, buscando a efetivação de seu mandato.

Pelo PT, a disputa é encabeçada por Nelita Frank, que tem Bartô Macuxi (PSOL) como seu companheiro de chapa. Já a terceira chapa, composta por Arthur Henrique (PL) e Subtenente Velton (PL), enfrenta uma situação sub judice. Sua candidatura foi barrada por descumprimento da regra de desincompatibilização e aguarda julgamento de recursos, adicionando um elemento de incerteza ao pleito.

É importante lembrar que o voto é obrigatório para os eleitores aptos. Aqueles que não comparecerem às urnas e não justificarem a ausência estarão sujeitos a multas e outras penalidades previstas na legislação eleitoral vigente.

Entenda a polêmica: desincompatibilização e candidaturas em Roraima

A eleição suplementar em Roraima foi marcada por uma complexa controvérsia em torno das regras de desincompatibilização, que define o prazo para ocupantes de cargos públicos deixarem suas funções para concorrer a eleições. Inicialmente, o TRE-RR (Tribunal Regional Eleitoral de Roraima) fixou um prazo de 24 horas, seguindo uma jurisprudência eleitoral.

No entanto, em 27 de maio, uma decisão do ministro Dino cassou o acórdão do TRE-RR, determinando que a corte local reexaminasse o calendário e adotasse as regras gerais de desincompatibilização, que preveem prazos de 3, 4 ou 6 meses. Essa reviravolta teve impactos diretos nas candidaturas.

A medida beneficiou Soldado Sampaio, que é filiado ao Republicanos e teve seu partido acionando o Supremo contra a regra inicial do TRE-RR. Sampaio conta com o apoio do MDB, partido do ex-senador Romero Jucá. Por outro lado, a decisão prejudicou Arthur Henrique, que era prefeito de Boa Vista e havia renunciado ao mandato no prazo original do TRE-RR para concorrer ao governo, aparecendo bem nas pesquisas.

Na mesma situação ficou Antônia Pedrosa (PT), professora e funcionária pública, que também se afastou de seus vínculos dentro do prazo inicial e foi impedida de concorrer. Em 1º de junho, o PT anunciou a substituição de Pedrosa pela socióloga Nelita Frank. O PL, partido de Arthur Henrique, decidiu não indicar um substituto, o que significa que, embora Arthur Henrique continue fazendo campanha e seu nome apareça na urna, seus votos poderão ser anulados se a decisão de Dino for mantida.

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