Saneamento deve ter pico de investimentos em 2027, diz Itaú BBA
O setor de saneamento deve atingir um pico de investimentos em 2027, segundo levantamento produzido pelo Itaú BBA em parceria com a Inter.B Consultoria. Ao todo, estão previstos R$ 44,2 bilhões no próximo ano.
O avanço faz parte da estratégia das companhias em acelerar os processos de universalização. Sancionado em 2020, o Marco Legal do Saneamento Básico estabeleceu como meta o acesso à água potável a 99% da população brasileira até 2033, e a 90% à coleta e ao tratamento de esgoto.
Em entrevista à CNN, Eduardo Corsetti, codiretor da área de infraestrutura e energia do Itaú BBA, afirmou que a instituição trabalha com a perspectiva de que, até 2030, sejam contratados R$ 200 bilhões em investimentos.
Para Corsetti, o setor atingiu um grau de maturidade que permite uma discussão mais qualificada sobre financiamento e planejamento de longo prazo.
Com isso, é possível dimensionar com maior precisão os desafios, a trajetória dos investimentos e os caminhos necessários para a universalização dos serviços.
Dificuldades para a universalização
O banco estima, ainda, que seriam necessários investimentos anuais de R$ 95,2 bilhões para alcançar a universalização até 2033. A necessidade desse volume de recursos representa, ao mesmo tempo, um desafio e uma oportunidade para novos operadores, investidores e estruturas de financiamento.
Como mostrou a CNN, dados do Instituto Trata Brasil indicam que o cenário permanece desafiador e que o ritmo atual é insuficiente para universalizar os serviços até a data estipulada no marco, especialmente no caso da coleta e do tratamento de esgoto.
Das 5.570 cidades brasileiras, apenas três — Curitiba, Santo André e Juiz de Fora — têm 100% de cobertura de coleta de esgoto. Os dados fazem parte do “Ranking do Saneamento”, divulgado em março pela entidade. Apenas sete capitais apresentam índice de atendimento superior a 90%.
Entre as 27 capitais brasileiras, apenas cinco possuem ao menos 99% de cobertura no abastecimento de água. Embora a média do indicador seja de 93,67%, a situação é desigual no país.
Investimentos
Os projetos já em curso somam mais de R$ 420 bilhões em investimentos, com potencial para beneficiar mais de 100 milhões de pessoas em 2.460 municípios. Novos leilões, concessões e parcerias previstos podem acrescentar outros R$ 58 bilhões.
Segundo Rogério Yamashita, responsável pela área de infraestrutura em Project Finance do Itaú BBA, o desafio atual é garantir que o setor continue ampliando a capacidade de atrair recursos de diferentes fontes, em volume compatível com as necessidades da universalização.
Entre as alternativas defendidas pelos executivos ouvidos pela reportagem estão financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o mercado de capitais, as debêntures incentivadas e de infraestrutura, o financiamento bancário e o capital próprio.
Para Yamashita, antecipar os investimentos também significa antecipar os benefícios da universalização, transformando essa necessidade em uma alavanca para o desenvolvimento econômico e social.
Levantamento recente da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostrou que o mercado de capitais já destinou R$ 589,9 bilhões ao financiamento de projetos de infraestrutura no país desde 2018. Em julho daquele ano, o volume acumulado era de R$ 42 bilhões.
Segundo a associação, as debêntures incentivadas respondem por 86% do montante investido nesses projetos. Criadas para estimular os investimentos privados de longo prazo, elas são utilizadas em áreas como saneamento, energia, transporte, logística e telecomunicações.
Considerando apenas o saneamento, o valor captado por meio de debêntures incentivadas desde 2020, ano em que o marco legal foi sancionado, chega a R$ 67 bilhões, segundo o Itaú BBA. De acordo com Yamashita, as emissões para o setor eram “praticamente nulas” antes do novo marco.
Impacto no PIB
O estudo do Itaú BBA estima ainda que a universalização do saneamento pode elevar o PIB potencial do Brasil entre 0,36 e 0,46 ponto percentual no médio e no longo prazo. O avanço seria impulsionado pela expansão da infraestrutura e pelos ganhos em saúde, educação e produtividade.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), cada dólar investido em saneamento gera, em média, US$ 4,30 em benefícios econômicos.
No Brasil, o retorno pode chegar a 8,9 vezes o valor investido em esgotamento sanitário e a 2,5 vezes o aplicado no abastecimento de água.
Fonte:CNN Brasil

