Secretário já havia atuado em presídios do Ceará, e impôs rotina de trabalho que segue até hoje

A rotina de limpeza dentro do sistema prisional do Ceará foi implementada pelo atual secretário de Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, em 2016.

Nos últimos dias, imagens que circulam nas redes sociais mostram presos limpando instalações de penitenciárias cearenses, representando o que seria uma nova política de disciplina imposta aos presidiários a partir de 2019.

Porém, o procedimento é comum e periódico, de acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), criada nesta segunda gestão do governador Camilo Santana (PT). Os internos costumam auxiliar na limpeza e em outras tarefas dentro das instalações do sistema prisional.

Onde são essas fotos?

São diversas fotos que mostram os detentos pintando paredes pichadas com siglas de facções criminosas, campinando a parte externa das penitenciárias, limpando corredores e celas dos presídios.

A secretaria garante que a medida não é recente e acontece em todo o sistema. Em uma das imagens, um detento é visto apagando uma pichação da sigla da facção cearense Guardiões do Estado (GDE). Já em outras, os internos estão limpando os corredores e celas das penitenciárias.

O presidente do Conselho Penitenciário do Ceará (Copen), Cláudio Justa, explica que o procedimento foi implementado em 2016, durante intervenção nas penitenciárias cearenses. A medida de higienização foi sugerida e adotada pelo coordenador da intervenção da época, Luís Mauro Albuquerque, o novo secretário.

O policial civil Luís Mauro Albuquerque assumiu a recém-criada Seap, no início de janeiro, prometendo uma nova política de disciplina nos presídios, acabando com a separação de presos por facção nas unidades, medida que já implementou quando comandou o sistema prisional potiguar.

A declaração foi feita no dia da posse do governador reeleito Camilo Santana, no dia 1º. Um dia depois, iniciou a onda de ataques promovida por facções em todo o Ceará, que já alcançou 47 municípios em nove dias de terror.

Medida seguiu em parte

Justa ressalta que o procedimento de higienização adotado em 2016, durante a intervenção comandada por Luís Mauro Albuquerque, perdurou em algumas unidades principalmente em presídios de triagem em que a permanência dos presos são provisórios.

Entretanto, ao contrário do que informa a Seap, Cláudio afirma que a rotina não foi mantida em alguns presídios, por conta de problemas estruturais. “Infelizmente, com a divisão das facções, superlotação, baixo efetivo de agentes penitenciários, muito desse legado se perdeu devido à inviabilidade”, explica.

Por outro lado, o presidente da Copen acrescenta que a rotina de higienização está sendo expandida aos poucos para a unidades mais problemáticas, como a Unidade Prisional Agente Luciano Andrade Lima (antiga CPPL I), em Itaitinga.

Presos trabalhando com limpeza de presídios

Presos trabalhando com limpeza de presídios
Rotina de trabalho com limpeza para presos começou em 2016 (FOTO: Reprodução Whatsapp)

Jonas Deison

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