Ceará destina R$ 5,7 milhões para fortalecer segurança de barragens em 2025

O Ceará reforçou significativamente sua infraestrutura hídrica com um investimento de aproximadamente R$ 5,7 milhões em segurança de barragens durante o ano de 2025. A Companhia de Gestão de Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh) divulgou os dados no recém-publicado Relatório Anual de Segurança de Barragens 2025 (RASB), destacando a prioridade dada à proteção e manutenção desses ativos essenciais para o estado.

A iniciativa visa garantir a integridade das estruturas e a segurança das comunidades vizinhas, por meio de uma série de ações que incluem desde estudos aprofundados até a recuperação de açudes e a implementação de novas tecnologias de monitoramento. Esse compromisso reflete a importância estratégica das barragens para o abastecimento e desenvolvimento regional.

Investimento Estratégico em Estudos e Projetos

A maior parcela do investimento, totalizando R$ 3.904.980,16, foi direcionada para a continuidade de estudos e projetos. Essa alocação substancial de recursos sublinha a priorização de ações voltadas ao planejamento, diagnóstico e suporte contínuo à gestão da segurança das barragens. A Cogerh busca, com isso, embasar suas decisões em análises técnicas robustas, garantindo que as intervenções sejam eficazes e preventivas.

O foco em pesquisa e desenvolvimento permite antecipar problemas e implementar soluções inovadoras, assegurando que as barragens do Ceará estejam preparadas para os desafios futuros, incluindo variações climáticas e o aumento da demanda por recursos hídricos.

Monitoramento e Desafios: O Cenário das Anomalias

Em 2025, a Cogerh realizou 173 inspeções regulares em 85 barragens estaduais, identificando um total de 1.499 anomalias no segundo ciclo de avaliação. Desse montante, 120 foram classificadas em nível de atenção e 5 em nível de alerta. Embora esse total represente o menor número dos últimos nove anos, uma mudança na metodologia de classificação de anomalias implicará um reinício da série histórica de ocorrências.

A partir dos dados de 2026, as análises de segurança serão mais consolidadas, baseadas em três parâmetros principais: a Situação, o Produto G.U.T. (Gravidade x Urgência x Tendência) e o Nível de Perigo (NP). Essa nova abordagem promete uma identificação mais precisa das condições de segurança, otimizando a alocação de recursos e o direcionamento de ações corretivas e preventivas.

A bacia Metropolitana concentrou o maior número de ocorrências, com 384 anomalias (equivalente a 25,62% do total), seguida por Alto Jaguaribe (189), Coreaú (172), Banabuiú (151) e Sertão de Crateús (147). Os pontos mais críticos identificados foram:

  • Vertedouros (por onde o açude verte/sangra) – 257 anomalias
  • Taludes de jusante (uma das paredes da barragem) – 208 anomalias
  • Tomadas d’água (por onde a água sai do reservatório) – 189 anomalias

As falhas mais recorrentes incluíram vegetação excessiva, processos erosivos e deterioração de concreto, indicando a necessidade contínua de manutenção e vigilância.

Tecnologia e Obras de Recuperação em Destaque

A modernização dos processos também foi uma prioridade em 2025, com a implementação do aplicativo “Checklist Barragem”. Desenvolvido pela Gerência de Tecnologia da Informação da Cogerh, a ferramenta visa aprimorar as operações de inspeção, reduzindo o tempo de execução das atividades e promovendo uma integração direta com o Sistema Integrado de Gestão de Recursos Hídricos (Sigerh).

No primeiro semestre do ano, duas importantes obras de recuperação de barragens foram concluídas: a barragem Poço Verde, em Itapipoca, e a barragem Cipoada, em Morada Nova. O investimento combinado nesses dois açudes, considerados estratégicos para as regiões do Litoral e do Sertão Central, superou os R$ 5 milhões. Além disso, R$ 1,2 milhão está sendo investido na recuperação da barragem Trapiá III, em Coreaú, que inclui a implantação de proteção granular para parede principal e auxiliar, sistema de drenagem interna, poços de alívio e trincheiras drenantes.

Preparação para Emergências: Planos de Ação Essenciais

Um ponto crucial na estratégia de segurança é o desenvolvimento de Planos de Ação de Emergência (PAE). Em 2025, foi concluído o PAE da barragem Olho d’Água, em Várzea Alegre. Este plano abrangente incluiu um estudo de ruptura, mapeamento da mancha de inundação, identificação das áreas potencialmente atingidas e a definição de procedimentos claros de alerta e resposta.

O documento é fundamental para preparar o órgão empreendedor de segurança e a população potencialmente afetada para lidar com situações de crises e emergências. Este foi o quarto PAE elaborado pela Cogerh, somando-se aos Planos de Segurança das Barragens Jaburu I (Ubajara), Jaburu II (Independência) e Batalhão (Crateús), reforçando o compromisso com a prevenção e a resposta rápida em cenários críticos. Para mais informações sobre a gestão hídrica no estado, visite o site oficial do Governo do Ceará.

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