Seis anos após motim da PM que deixou Cid Gomes ferido em Sobral, apontado como líder enfrenta julgamento na Justiça Militar

Seis anos depois do motim de policiais militares que paralisou o policiamento no Ceará e teve como um dos episódios mais emblemáticos o momento em que o senador Cid Gomes foi baleado em Sobral, o caso segue em tramitação na Justiça Militar.

A investigação contra o sargento da reserva Márcio Douglas Melo Mota, conhecido como Sargento Douglas, apontado como um dos líderes do movimento iniciado em 18 de fevereiro de 2020, avança para uma nova etapa. Ele é réu por crimes previstos no Código Penal Militar e tem audiência de interrogatório, debates e possível julgamento marcada para o dia 1º de julho de 2026, na Auditoria Militar do Estado.

O processo apura a participação dele e do soldado Eraldo Mendonça do Nascimento Filho no motim que teve como um dos principais focos o 18º Batalhão da Polícia Militar, no bairro Antônio Bezerra, em Fortaleza. À época, grupos de policiais ocuparam quartéis e suspenderam o policiamento ostensivo em diversas regiões do estado.

Segundo os autos, o sargento foi identificado em imagens fardado e armado dentro do batalhão, onde teria feito discursos a colegas, alegando ter a “missão” de liderar o movimento. O Ministério Público sustenta que ele teria utilizado o prestígio como integrante do Comando Tático Rural (Cotar) e promoção por bravura para influenciar outros militares e questionar o comando da corporação.

Episódio em Sobral marcou crise nacional

O motim ganhou repercussão nacional após o confronto registrado em Sobral, no dia 19 de fevereiro de 2020. Na ocasião, Cid Gomes avançou com uma retroescavadeira contra o portão de um quartel ocupado por policiais amotinados e foi atingido por dois disparos de arma de fogo. O episódio marcou o auge da crise na segurança pública do estado, imagens do Portal Sobral Online mostram toda a ação.

Medidas cautelares e questionamentos recentes

Em abril de 2021, a Auditoria Militar determinou medidas cautelares contra o sargento, incluindo a suspensão do exercício de funções públicas como policial militar e a proibição de frequentar quartéis da PM e do Corpo de Bombeiros, salvo autorização judicial.

Entre 2025 e 2026, o Instituto de Ciências Criminais do Estado do Ceará (ICCEC) protocolou petições apontando suposto descumprimento dessas medidas. A entidade alega que Márcio Douglas, atualmente na reserva e exercendo mandato como vereador no município de Itapajé, estaria circulando armado, utilizando peças de fardamento em atividades políticas e realizando ações típicas de policiamento sem autorização legal.

O ICCEC solicitou a prisão preventiva do réu, mas o pedido foi indeferido pelo juiz da Auditoria Militar sob o argumento de que a entidade não possui legitimidade para requerer a medida. O Ministério Público se manifestou contrário à prisão. A entidade recorreu ao Tribunal de Justiça e informou que há pedido em tramitação no Superior Tribunal de Justiça.

Ausências e andamento processual

O processo também registra ausências do réu em audiências. Em janeiro de 2025, ele não compareceu, tendo a defesa solicitado dispensa, aceita pelo juízo. Em julho do mesmo ano, foi apresentado atestado médico indicando impossibilidade de comparecimento em razão de Transtorno de Ansiedade Generalizada.

Seis anos após a paralisação que impactou diretamente a segurança pública do Ceará e culminou no episódio envolvendo Cid Gomes em Sobral, o caso ainda repercute no cenário político e jurídico do estado, com expectativa de desdobramentos a partir da audiência marcada para julho de 2026.