Sesa notifica 916 casos suspeitos de reação adversa após vacinação contra Covid-19 no Ceará

A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) notificou, até o último dia 19 de abril, 916 casos suspeitos de Evento Adverso Pós-Vacinação (EAPV) contra a Covid-19 em 73 dos 184 municípios do Estado.

Até o dia 27 de abril, o Estado já vacinou mais de 1,3 milhão de pessoas, com pelo menos uma dose do imunizante contra o novo coronavírus. Em comparação com os 916 casos suspeitos de EAPV registrados até dia 19, esse número representa cerca de 0,07% do total de pessoas vacinadas. 

Do total de notificações, 611 (66,7%) são do imunizante Sinovac/Butantan e 305 (33,3%) do produzido pelo laboratório AstraZeneca/Fiocruz. Os dados foram incluídos em documento técnico da Pasta divulgado no dia 25 de abril.

Conforme a Sesa, um EAPV é qualquer ocorrência médica indesejada após a vacinação, não possuindo necessariamente uma relação causal com o uso de uma vacina ou outro imunobiológico. O EAPV pode ser qualquer evento indesejável ou não intencional, isto é, sintoma, doença ou achado laboratorial. 

O relatório concentra dados da cobertura vacinal desde o dia 18 de janeiro, quando o Ceará iniciou oficialmente o cronograma local.

RELATÓRIO DE EAPV

Pela análise da Sesa, 83,95% dos casos totais de EAPV Covid-19, isto é, 769 dos 916, constam como avaliados e encerrados. Destas, 748 são notificações do tipo EAPV e 21 por erro de imunização.

Conforme o documento, 371 notificações de EAPV foram causadas pela vacina ou por um ou mais de seus componentes e 372 têm causalidade inconsistente ou coincidente, quando as reações são por outros motivos. Outros cinco casos apresentaram causalidade inclassificável por ausência de informações.

Das 748 notificações do tipo EAPV avaliadas, 650 (87%) foram classificados como Evento Adverso Não Grave (EANG). Já os outros 98 (13%) como Eventos Adversos Graves (EAG).

Segundo o Ministério da Saúde, um caso é classificado como EAG se apresentar as seguintes situações:

  • Requer hospitalização por pelo menos 24 horas ou prolongamento de hospitalização já existente;
  • Causa disfunção significativa e/ou incapacidade persistente (sequela);
  • Resulte em anomalia congênita;
  • Causa risco de morte (ou seja, induz à necessidade de uma intervenção clínica imediata para evitar o óbito);
  • Causa o óbito.

E um evento adverso não grave é qualquer outro que não esteja incluído nos critérios de evento adverso grave.

LABORATÓRIO

Ao analisar os casos classificados como EANG, o estudo da Sesa concluiu que 443 registros (92,3%) entraram no sistema após aplicação de Sinovac/Butantan e 207 (77,2%) de AstraZeneca. Nos EAG referentes aos óbitos, 30 (6,2%) estavam associados temporalmente à vacina do laboratório Sinovac/Butantan e 54 (20,2%) a AstraZeneca/Fiocruz.

A Sesa foi procurada pela reportagem do Diário do Nordeste para repercutir os dados, mas não se manifestou sobre a solicitação de entrevista. 

SINTOMAS

EVENTO ADVERSO NÃO GRAVE

Todos os 371 EAPV causados por reação inerente ao produto foram classificados como não graces, e, segundo a nota da Sesa, apresentaram uma maior frequência das seguintes manifestações sintomáticas:

  • Febre;
  • Cefaleia;
  • Mialgia;
  • Calafrios;
  • Diarreia;
  • Desconforto abdominal;
  • Edema;
  • Dor localizada;
  • Náusea;
  • Prurido;
  • ​Sonolência.

Os outros 147 registros restantes (16%) seguem em fase de análise, “devido à pendência de algumas informações”. A Pasta não informou o prazo para finalização do estudo.

EVENTOS ADVERSOS GRAVES

Dos 98 casos classificados como EAG, 84 apresentaram “registros de óbitos” e 14 foram “classificados como graves por outros motivos, como hospitalização por, pelo menos, 24 horas ou eventos clinicamente significante que necessitaram de intervenção médica”, informou a Sesa.

A nota técnica explica que os “eventos adversos graves (EAG) temporalmente associados às vacinas foram classificados como inconsistentes ou coincidentes, ou seja, trataram-se de Evento adverso pós-vacinação (EAPV) sem relação causal com a vacina”.

O QUE FAZER SE APRESENTAR UM EAPV

Conforme o relatório da Sesa, é aconselhável procurar assistência médica imediata e mencionar a vacinação recente para que o caso seja notificado e investigado seguindo o fluxo estabelecido pelo Protocolo de Vigilância Epidemiológica e Sanitária dos Eventos Adversos Pós-Vacinação.

Fonte: Diário do Nordeste

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