Shell mantém compromisso de investimento bilionário na Raízen em meio a reestruturação

A Shell reafirmou seu compromisso público de injetar R$ 3,5 bilhões na Raízen, a joint venture de distribuição de combustíveis que mantém com a Cosan. A declaração foi feita nesta terça-feira (19) por Cristiano Pinto da Costa, presidente da petroleira no Brasil, em um momento crucial para a Raízen, que se encontra em fase avançada de recuperação judicial.

O executivo destacou que a Shell tem trabalhado intensamente com os sócios, credores e a administração da Raízen para encontrar uma solução que beneficie todas as partes envolvidas. O objetivo primordial é permitir que a empresa conclua com sucesso o processo de recuperação judicial, garantindo sua sustentabilidade e retomada de crescimento no mercado.

Negociações Cruciais para o Futuro da Raízen

As negociações para a reestruturação da Raízen estão em um estágio avançado, com a expectativa de que uma proposta formal seja apresentada já na primeira semana de junho. Segundo informações divulgadas, o plano necessita da aprovação de, no mínimo, metade dos credores para ser implementado.

Cristiano Pinto da Costa expressou confiança no desfecho positivo das tratativas. “Estamos em uma fase avançada de negociação com todos e confiantes de que vamos ter um acordo até 8 de junho”, afirmou o presidente da Shell no Brasil, sublinhando a importância do prazo para a concretização do acordo.

A Virada Operacional e Estratégica da Raízen

Desde 2024, a Raízen tem passado por uma significativa reestruturação em sua gestão e estratégia, um trabalho que o presidente da Shell no Brasil classificou como “excepcional de ‘turnaround’ operacional”. Essa mudança de rumo tem sido fundamental para enfrentar os desafios que levaram a empresa à recuperação judicial.

Entre as ações implementadas pela nova administração, destacam-se a rigorosa redução de custos, o foco nas atividades-chave do negócio, a venda de um portfólio de usinas consideradas menos rentáveis e o esforço para restabelecer a credibilidade e as margens de lucro no setor de varejo de combustíveis. Tais medidas, segundo Costa, têm demonstrado resultados positivos.

A “Tempestade Perfeita” que Levou à Crise

A situação de recuperação judicial da Raízen foi desencadeada por uma combinação de fatores adversos, descrita pelo executivo como uma “tempestade perfeita”. A queda dos preços internacionais do açúcar e do etanol impactou diretamente a receita da empresa, que atua fortemente no setor de biocombustíveis.

Além disso, a desaceleração da transição energética, que resultou em uma demanda menor por biocombustíveis, o crescimento do mercado ilegal de combustíveis, o elevado endividamento da própria Raízen e um ciclo de alta nas taxas de juros contribuíram para agravar o cenário financeiro da joint venture, conforme fonte confiável.

Cosan Avalia Saída e Diluição no Negócio

Paralelamente ao aporte da Shell, há a expectativa de uma injeção adicional de R$ 500 milhões por parte de Rubens Ometto, controlador da holding Cosan. Contudo, a própria Cosan não realizará um aporte direto de capital na Raízen e está avaliando a possibilidade de deixar o negócio após a reestruturação.

Marcelo Martins, presidente da holding Cosan, mencionou em teleconferência com analistas que uma diluição da participação da Cosan no negócio é esperada. Ele ressaltou, no entanto, que ainda não há uma decisão final tomada sobre a saída da empresa da joint venture.

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